Um dia do caralho!

19 de julho de 2012 § Deixe um comentário

Um dia quase como outro qualquer. Se não tivesse sido minha grande capacidade de foder com ele, e se não fosse a humanidade toda capaz de fazr o mesmo, acho que seria mais um. Não foi. De manhã, lembrei de você e não quis sair da cama. À tarde, depois de vencer as barreiras da gastrite e do relógio, quis te ligar. Depois de um almoço muito tardio e de um estômago revirado, tive que tirar você dos olhos pra colocar meus afazeres. Em dia de maré ruim, os peixes nascem podres.

Em alguns poucos momentos de desabafo, reclamei de você, briguei por coisas desimportantes e fiz o que devia, só porque faz muita diferença ter razão. E manipular assim só faz cansar! A fila, as lembranças, as perspectivas. Manipular assim só faz sentir saudades. As coisas parecendo ainda pior do que são. As nuvens mais cinzas do que brancas. Alguma lembrança das suas ancas. Não tendo mais pra onde fugir.

Procurando seu abraço. Pesquisando seu próximo passo. Alguma coisa de Contraditório em terras de Sensatez. Flashes de solidariedade dispensável, café e cerveja. É por essas e outras que tratam isso por revolução. Imagine só se estivessem aqui, em meu lugar. Refúgio não é revolução! Saudade não é fraqueza! Verbo não é Substantivo. Mas vou brincar com as conradições, assim como brinco com sua insônia. Pode ser que o dia não termine tão mau assim. Pelo menos nos falamos.

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A Cracatoa me falou

14 de março de 2011 § 1 comentário

A Cracatoa me falou: não leve a mal, você não consegue ser cara de pau! Não entendi, nem sabia que cracatoa falava. Meio tolinho, acreditei nas pessoas que se achegaram. Não eram as melhores, mas eram pessoas e, por um tempo, era tudo o que eu queria ou precisava. Estava errado ou certo, mas não me dei muito bem. Normal de quem escreve de si ou para si. Sofrimento, assim, quando não vem antes, vem depois, em forma de poesia. E escreverei pra chorar e sentir alguma coisa.

Se há coisa pior que não sentir eu não conheço. E eu nem me reconheço. Recaída de quem queria estar formado. De quem merecia ser menos deformado. Brinca daí com sentimentos que eu brinco de cá com as palavras. As doces serão pesadas, as grosserias serão leves. As medianas serão diferentes e atemorizantes, enquanto as chocantes falarão do dia-a-dia. Como é boa a vida de escrevedor. Ninguém imagina o que se passa, mas qualquer coisa poderá ser novidade – ainda que sem neologismos radicais.

Em cumprimento ao bom e velho inferno astral, levanto minha moral com boas sensações de lembrança breve. Apagando a força de uma história arrebatadora, escrevi, em posts de blog o que se passava nesta alma suja de mim mesmo. E uma tosse de gentilezas me fez herdar o melhor de uma pequena menininha que se afasta e se aproxima, só por ser altruísta – ela e não eu. Eu me amo, mas também amo você, e se lembre, ainda que sempre seja a média distância. Na justa medida pra manter dois corações ligados e sadios. Tenho sim sorte. Obrigado!

Grande circo chamado Brasil

10 de março de 2011 § Deixe um comentário

Num desses dias, num desses circos que montaram, me fiz um palhaço pobre. Aqueles de maquiagem borrada e piadas meio toscas. Nem acredito ter sobrevivido. Aonde foi mesmo a platéia? E brincando, fui percebendo que a vida tinha muito mais do que algumas horas de um ato novo. E a graça que tanto tentei expor, dentro de mim estivera, e, se não fosse lá, em nenhum lugar estaria. Disposto a voltar para dentro, saí e vi o que não queria.

Na caverna que se fez a existência, varri com dignidade todo aquele picadeiro. Tudo para que apenas um animador ou domador pudesse realizar ali seu palco. Pudesse dali ludibriar com mentiras o que minhas verdades não podiam mais cativar. Fui castigo e crime cometido de antemão – o de acreditar. O de respeitar mais do que era respeitado. Ser preto, ser pobre, ser mouro, ser tudo a mesma coisa que não é branca e rica – só pra ser desrespeitado.

Uma hora dessas essa droga vem à tona. Um momento desses em que pessoas, talvez, por um lapso do destino ou ironia da vida, sejam consideradas por si e não pelo que tem. Num desses instantes em que a humanidade grita, talvez haja liberdade, evolução. Enquanto isso não acontece, me reservo no direito de ter pena da nossa burguesia de circo. Nossos elefantes brancos que expõem sua desgraça opulenta, enquanto palhaços, ratos e platéia, se contentam com migalhas e show barato.

O que eu quero é cantar

6 de março de 2011 § Deixe um comentário

Pula, pula, meu povo, que esse chão não é de ovo! Pode levantar a poeira e baixar a guarda, é Carnaval! Soltando o grito que não cala, mesmo que ao lado de um amigo mala. Cantantes de um enredo de liberdade de um povo pelado e sem maldade. É carnaval, é Caraíba: brasileiro, paulista, carioca e Paraíba. De Manaus verde e Parintins movimentado. Olinda, terra de gigantes ou Bahia de Olodum retumbante – o povo heróico.

Parem a guerra que o que eu quero é cantar! Desliguem as discórdias, porque é mais bonito concordar com a batucada. Sejamos unos, guaranis, tupis, capixabas, caipiras, polacos, orientais, e citadinos. Povos de um mesmo gigante que se rende desde o clássico até o marginal pras batidas dos corações suados de véspera quaresmeira. Tudo vale pra poder festejar nossos sorrisos. Seja no trio elétrico, no bloco de rua, no sambódromo, nos clubes ou nos hotéis, vai aparecer o cara-caramba-cara-cara-ô e o samba na ponta do pé ou do dedinho!

Mulheres, homens, crianças e um pouco de esperança de que dessa vez será melhor – como na vida, como nas segundas-feiras de todas as semanas. Acreditando, o povo-brasilis se faz lição de vida e harmonia cantada e pulada. Religiosos cantando hinos e foliões devassos só querem se divertir – e sonhar. Haverá como não se render? Eu, do povo Caraíba, mesmo em casa, estou em sonho-ritmo de festa. Quarta-feira eu acordo. Mas até lá tem chão (da Sapucaí, do Pelourinho ou Anhembi). Canta, canta, minha gente, que até a tristeza fica mais contente!

Escrevedores de sonhos

5 de março de 2011 § Deixe um comentário

Caraíbas e, ás vezes, solitários. Com formigamento nos dedos e sem papas na língua que também usam pra falar. Com um copo de café numa mão e um cigarro na outra, ou cerveja, ou chocolate, fazem de momentos de todos os gêneros, verdades eternizadas em prosas poéticas, em textos técnicos ou em poesias concretistas que não cessam de gritar em poucas palavras e sem forma aquilo que a mente, o coração e a pele transbordam.

Não estou falando de mim, pelo menos não só de mim. Aqueles que escrevem em cadernetas azuis ou em uma espécie de narcosíntese também são contempplados com uma justa e humilde homenagem. Outros que, de alguma forma falam de experiências que acontecem consigo, numa justa vazão de realidade bipolar, aqueles que contemplam literatura fantástica, as meninas de casaco, ou mesmo aqueles que simplesmente fazem de futebol um futebom no seu futblog não podem mesmo ficar de fora, são Caraíbas. Obrigado pelas palavras e parabéns por cada uma delas.

Somos todos Caraíbas, de fato. Somos todos antropofagia de carícia escrita sobre o que queremos gostamos ou somos. Antropófagos de tantos outros quase Caraíbas que nos ensinam e nos constroem. Blogueiros, twiteiros, poetas do papel de pão e guardanapo. Pessoas com algo pra falar, mesmo que não haja quem os ouça. Um dia desses, talvez eu não esteja aqui pra ver, serão todos parte do movimento literário mais rico do mundo: Movimento Caraíba. Só falta aprenderem o que significa isso. Temos tempo.

Acaso

5 de março de 2011 § 1 comentário

Patronando curiosidades, faço amigos pela internet. Descobrindo sorrisos novos, o ônibus também se torna experiência de ouvir mpb cantando alto e ver você cantando junto a mesma coisa. Voltando pra casa, depois de um dia cheio de coisas que você não vai entender. Mesmo assim, eu continuo contando, só pra você ficar mais perto. Vamos, venha logo! Eu até posso esperar – e vou – mas minimize minha angústia com esses olhos que brilham sem necessidade de porque.

Mensagens, que te mando para contar coisas, falar nada, ou pra passar tempo, são gritos. Ouça! Numa dessas horas em que me perco em devaneios, vai aparecer o seu sorriso, seu semblante, e eu vou me desmanchar e perder toda aquela pose de quem tem tudo sob controle. Me destrói assim, só pra eu tentar me refazer de seus carinhos. E me salve em seguida, me conte do seu dia, seu novo emprego, fale das saudades que tem dos seus amigos, ou qualquer coisa de infância.

Me recrimine por fumar, mas só um pouquinho – eu não vou parar mesmo. Em contrapartida, haverá sempre bombons na minha mochila pra você dizer que adora, me dar um abraço apertado e entrar pelo portão sem sequer olhar pra trás. Depois disso, ao chegar na minha casa, terei saudades de cada movimento de meus dedos em seus cabelos e de cada som da sua voz. Acho que vou te ver de novo, nem que seja por acaso.

Rogério Ceni – um boleiro diferente

22 de janeiro de 2011 § 1 comentário

Acreditem os demais, faz tempo, mas o camisa 1 de nosso escudo fora um dia mero mortal. Passado, é claro. E, hoje, em tempos modernos, imortalizado está para paulicéios, são paulinos e rivais. Acostumado a quebrar tabus, no gol ou fora dele, és imagem e inspiração de uma nação tricolor que se formou também de suas glórias. E, de Terra-Paulis fazemos motivação, escudo e nome, conforme o mandamento de nosso capitão. Seja pelo hábito de ler que o tornou também hábil com as palavras, seja pelo exemplo de desportividade e empenho, é um boleiro diferente.

Quando haverá outro completo? Talvez os deuses da bola possam prever, mas presumo que será quando voltar em pele de outro Ceni. Ceni-cineasta da bola a fazer de cada lance um efeito especial. Para meninos barrigudos e queimados de sol que moram do lado de cá da ponte, é inspiração que gera transpiração – nossa maneira periférica de compensar o que por dom não nos fora dado de antemão. Correndo atrás.

Deuses da Bola fazem também aniversariam. E, nesta data em que Rogério – o goleiro-leitor-artilheiro celebra sua natividade, cada um terá seu lance pra lembrar – seja gol, seja defesa; talvez por garra talvez por dom. Pela força da presença ou pelo mero motivo de estar vestindo a camisa que ele mesmo desenhou, é figura que ficará sempre na memória, bem como está em nossos campos tanto tempo. Não haverá frase onde caiba a admiração e o respeito. Melhor parar por aqui. Mas, que várias e várias vezes se repita este ode! Nasçam Rogérios, boleiros e mitos para podermos cultuar! Curiosa sensação de gol de placa. Parabéns, Rogério! Mais gols e mais tabus. Mais defesas e mais sucesso. Tenha ainda mais história.  Enfim, nada do que ainda não conheça.

(Em ocasião do 38° aniversário de Rogério Ceni, São Paulino, goleiro-leitor-artilheiro e mito)

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