Mal Star de tocar um sol com a mão

25 de outubro de 2011 § 1 comentário

Estrelas são para ser olhadas. Ao tentar tocá-las com a mão, normalmente nos queimamos. Mal Star de um astronauta desajeitado. Com pouca simetria de ideias e muita esquizofrenia eloquente, uma paixão inevitável em poucos instantes transforma-se em dor. E a dor vai crescendo. O mal se aprofundando, apenas porque astronautas desajeitados não aprenderam a pedir licença. E de vôo em vôo, o céu vai ficando pequenininho. A visão vai se esvaindo. E o brilho da estrela só se apresenta na lembrança.

Com poucas cores assim de perto, as explosões vão sendo cada vez mais inevitáveis. Com muitas mechas de saudade, a antipatia vem crescendo como solidariedade. Aquela que se tem por quem é maior. A mesma que é sentida pelo mendigo quando encontra um trabalhador endividado. E naves serão destruídas apenas pelo insano sonho do maldito voador. E as palavras, ainda que não muitas, serão impressões que deveriam ser guardadas. É a turnê de um sofrimento-alegre! É o trio elétrico da fogueira de Israel.

O sonho do astronauta ser escolhido, para ser real, também é a sua morte. A distância, a saudade e a ausência, enfim, serão sempre sua sorte. Para facilitar ainda mais essa mania, para se lembrar ainda mais dessa esperança, existe, em terra, o que se chama noite. Com devoção, podendo admirar lindas estrelas, o sábio mais que humano tem a certeza de que nunca terá o seu calor em plenitude. O tempo e a distância fazem de qualquer astronauta um pensador. A saudade, sentimento sem definição, passa a ser a lógica e o prazer dessa insana conquista. Um minuto de cegueira.

Depois 2 (Apocalipse)

14 de setembro de 2011 § Deixe um comentário

E depois de variada a experiência, onde deveria estar evidente a existência, apenas migalhas. Migalhas de carícias, migalhas de cuidados, migalhas mimadas e mimosas que quase justificam a persistência sutil de uma memória triste. Evidenciando a realidade, uma platéia muda, esperançosa. Uma arquibancada de quase pessoas mortas que dançam e riem com o frenesi do desespero que faz mais uma vez a mesma memória fúnebre. Onde o amor morreu, parece também ter morrido a esperança. E acaba nunca sendo tarde para olhar para algum luar que não seja o passado.

Depois de multiplicadas as explicações, ainda mais uma forma, sempre nova, de lembrar de mais um detalhe, de mais uma intimidade que fará correr a lágrima primeira das milhares que a seguirão. Depois de divididas as forças dessa pequena luta, um novo desejo de retorno bate, apenas pra devolver a insanidade com cor de luto travestida em carnaval. Saudade, aqui, também é uma forma de auto-traição. Do alto, o suicida a se lançar ao fundo onde está seu objeto de carícia – a parte miserável dessa história.

No próprio leito de morte está a salvação do apaixonado. E, no túmulo ao lado, por mais que não queira, está sua perdição em outro amor, até que, num momento de êxtase, far-se-á novamente toda essa destemperança a resultar em mais uma dor de amor não mais contida, assim perdida e dissipada. De lembrar, o próprio amor se mata e te maltrata, fazendo com que até lembranças bonitas sejam símbolo de tortura e traição. Após a morte, resta menos de si e nada do outro. Como, então, manter-se vivo num planeta-cemitério?

Mais pele, mais furor

30 de abril de 2011 § 4 Comentários

Mais que fogo, anomalia moral e mental de surto molhado. Desejo permanente de pele. Pulula nos ar sobre a cabeça o seu cheiro sensual que envolve cada idéia do pensamento e faz vibrar o olhar já espantado com sua volúpia. Cheiro de delícia ainda em formação a dois. Aroma de desejar e querer mais que pensar. Saúde animalesca. Brutal brasilidade conhecida dos estranhos estrangeiros que por aqui pagam caro (mas não você). Em trapos e sem eles. Nenhuma segunda pele. Nuances.

A cama, desmanchada com a sua atitude de receptividade voraz só demonstra o quanto cada sentido é verdadeiro e faz a verdade dos gritos que saem da sua garganta já preenchida e ecoam pelos corredores. Verdade das maiores imoralidades santas que podem ser feitas entre quatro paredes. Trata-se do que queremos, tenhamos, então. E um minuto para descrever na mente a próxima rodada de ménage ou o próximo exercício indiano. Livro cultural que sobrevoa nossa curta experiência.

Atrito que deixa a pele roxa e as partes mais sensíveis – todas elas. Calor que aumenta na mesma medida em que não sacia os cuidados, mas aumentam a força e a guerra defendida com unhas, dentes, bocas, mãos, parte, pele e pelos. Pelos, pele, partes, mãos, bocas, dentes e unhas, tudo e intenso. O que fazer senão o mais sublime e tenso? Urrando, podemos cuspir as palavras engasgadas na memória e ter as atitudes presas nas roupas de baixo. Mais e mais vontade de aprender como aumentar o seu prazer, satisfazendo o meu. Isso também pode se chamar amor. Pensando assim, devo estar apaixonado.

Eu vou assim

6 de abril de 2011 § 1 comentário

Choras. Horas, minutos, noites e manhãs. Caminhos perturbadores de qualquer notícia sintética. Homenagem de blog-nostalgia. Amoras. Pataguárides. Miografia. Furacões, tsunamis, terremotos, erupções. Sentimento de decúbito mental. Sobre a própria mente-morte. Pessoas-babéis. Unidade de bola de papel e anéis. Água mineral com gás. Água mineral sem gás. Suco de uva, suco de laranja. Gelatina. Bolo de chocolate. Parabéns sincero. Amigos novos e bons. Choras, choras!

Oras. E futuro lindo. Dia de céu azul com mau humor. Sono exagerado. Ônibus trocado. Compreensão gaúcha. Miúcha no rádio – saudades na frente. Dia reduzido. Calor retraído. Fila no refeitório. Almoço de dia, não de véspera. Controle mental. Satisfação social. Avisos retorcidos de manhã. Avisos esclarecidos pela tarde. Poucas palavras. Futuro incerto. Desejo esperto. Certeza de novidade. Oras, oras.

Violas. Outros e outras e mesmos e novos. Palavras, sentidos, cuidados mimos e frouxos. Amizades, amores, amoras, desenhos e flores. Espírito de criador. Desejo de amor. Amante e armador. Pútridas belezas de tempus-completus. Revezes, contrários, amplexos, beigons e perigons do caminho. Luz vermelha. Luz verde. Luz amarela. Sinceridade. Caraibagem. Sacanagem. Delícias e carícias. Violas, violas.

Eu vou assim.

Inércia

28 de março de 2011 § Deixe um comentário

Se não me queria junto, não chegasse perto. Se não era pra explicar todo dia de manhã, a rotina do dia anterior, porque acordar ao meu lado? Tomasse então um banho breve durante meu sono e saísse sem maiores cuidados, eu até entenderia, gostaria, aplaudiria. Se não era pra querer as mesmas coisas, pra sentir os mesmos medos, fizesse como fazem as vagabundas e cobrasse – eu te pagaria bem. Pelo menos meus dias seriam mais sacanas e minhas horas seriam mais vazias dessa espera sacana de uma sábia falastrona.

Assim, assim, me fizestes de idiota e nem me arrependo disso. Tenho mesmo é pena da sua nobre sacanagem. Pena da sua desgraçada idéia do que seja amor ou história. Pena do torpor causado e das sofridas penas de sua estúpida maneira de viver um digno penar. Capacidade crua de ser empobrecida mortal de cara branca e sem vida. Domínio total da anti-historiedade que causa o pior das juventudes e provoca os menores sentimentos e as mais torpes sensações possíveis.

Vez ou outra posso me lembrar de breves sorrisos. Posso até me alegrar das promessinhas com voz de criança, feitas antes ou depois de algum amor feito ou por fazer. Se não podia mesmo ser sincera, foi bom ter sido uma boa mentirosa. De alguma maneira, aprendi a ser mais eu, mais meu, mais só. Acordo todo dia de manhã com minha rotina, como quem troca de cueca, ás vezes, até com uma nova. E, ainda que pareça papagaio, sou mais forte do que um dia imaginava. Pule, corra, chore e até morra, mas não repita os mesmos erros, ou fará outros terem pena.

Golpe de sorte

12 de janeiro de 2011 § 1 comentário

Talvez não seja do tipo de se entregar facilmente. Mas também não é hora de achar tudo difícil. De uma hora para outra, é possível que seja tudo diferente. Abominação de uma nova caraibagem, por uma velha e conhecida lembrança de dignidade? Mais surto que saudade – então acho que não. Com certeza é na boa velha e nova ordem de coisas que a caraibagem se faz necessária. Assim como o peito tem a necessidade do abraço e a boca, a necessidade do beijo. O colo, por sua vez, sobrevive da presença do peso pouco que, em meu colo sempre encontra um abrigo seu. Calor de pele.

Umbigo de barriga média, nos meus ares de nunca fazer sentido. Parabéns de noite chuvosa. Choro triste de vitória. Mero ato de dignidade ao se reconhecer pouco e tudo. Para onde foram as raposas, as Calíopes, os rouxinóis e as fadas? Parece que sempre por aí e por aqui. Por aí a espalhar beleza pelo mundo, e, nas memórias fracas e permanentes a ser inspiração de caraibagem e outros surtos de sonhos-realidades-momentâneas. Em terra de temporização imediata, um instante dura a eternidade de um beijo. E nada mais. Uma noite de verão.

Vale mais ver mesas-redondas, programas de culinária, fotos de família e novelas de época. Na estranha lembrança de ser um super-herói desaforado de pequenos contos pessoais e histórias de quotidiano relativamente surdo. Como num trago de cigarro ou de cachaça, guardando cada segredo e cada minuto de sorriso, choro, abraço ou mesmo espasmo. Tremendo de suor e de cansaço. Confusamente perdendo a alma, a cara e o bom nome, para, por uma vez, sorrir após um beijo seu. Que tal morrer também? Até os sapos quereriam meu lugar.

O Primo da Onça

7 de setembro de 2009 § 1 comentário

 
Uma Florzinha pequenina, mas muito brilhante, me levou para ver o que tem florescido no seu jardim, aos finais de semana, quando a vida é fantasia, e é engano tentar fugir. Acontece, que, em meio a todas as ervas daninhas, plantas robustas e mesmo grandes salgueiros, existe espaço para que insetos e outros animais que passam o tempo a comer milho e tomar café, percebam, como fosse uma brisa que passa, o relato da história de um furacão literário.
 
Onde menos se espera que haja beleza, no húmus, temos a sutileza das gotas de orvalho que caem das redondas luzezinhas da Flor-de-Lis que contracena com minha Florzinha. Dessa mesma forma, podemos apreciar essa Florzinha se metamorfoseando num lindo Rouxinol, que, de tão linda em tão belo cantar nem fica roxa… em intenção de Rouxinol, em direção a ela, temos um minúsculo amiguinho Sabiá, que canta, dança, atua e toca… e nos toca mesmo de longe.
 
O grande Salgueiro-Bonachão demonstra o quanto é sensível, ao mesmo tempo que derruba todas as flores e pássaros quando balança sua frondosa copa, depois da tempestade. Margarida, alegre e feliz, exala a si mesma num belo par com o Bezouro-Solitário. Mas o fio corre em torno da Flor-de-Lis, que, entre um Beija-Flor e uma Iguana – o "Primo da onça" – morre de remorso por ter-se deixado ser engolida toda inteira por este último, e ter sido descoberta pela Ratazana que a servia. Coitado do Beija-Flor… 
 
Ademais, pude conhecer a lascívia existente na Moita e a piadinha, que só a Maria-sem-Vergonha tem, junto ao Canário-Boca-Roxa e um certo Pardal-nas-Cordas que interagem com a Erva-Teclas.
 
Ah, essa Florzinha-Rouxinol tem-me dado ótimos momentos nesse jardim. Obrigado!
 
Quer entender melhor o que estou dizendo? Teatro Brigadeiro (Brig Luiz Antonio) Sextas e Sábados às 20:30h; e Domingos às 19h.
 
 

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