Quem ainda não conheceu o exagero

4 de dezembro de 2011 § 1 comentário

Muito prazer! Exagero deveria ser substantivo abstrato, nesse caso, porém, é título de nobreza gentil e também nome, e aqui estou. Simples, sincero, sutil e muito, muito persistente. De perseguir sonhos e metas quase impossíveis, chamam-me eventualmente de Determinação, mas é puro e simples exagero que minha identidade insiste em exalar, nada mais. E de verdade eu percebo o quanto sua chegada me torna ainda mais exagerado. Eu sofro com sua saída – mesmo que ainda só um pouquinho. Num momento de falta de sensatez, desejo sofrer mais, só para ter podido perceber mais vezes sua chegada.

Exagerado que sou, por qualidade e não por definição, vou ligar, mandar mensagens, escrever, pensar e sonhar com momentos em que usarei de exageros ainda mais próximos. Ao invés de te ligar, iria te abraçar, te olhar de perto. E nem assim, nem se eu quisesse, meu exagero me deixaria perceber qualquer imprecisão, por menor que fosse, em seu semblante. Exageradamente perfeita e feita para caber no meu abraço, é como o Exagero – e eu – percebemos você: do tamanho necessário para ter o melhor olhar e o mais belo sorriso. Pequenina, vem só pra me encantar igualzinho gente grande.

Nas voltas que meu exagero faz em minha mente, sorrio ao lembrar nossas conversas. E fico ali, bem bobo, quando te olho, só porque não tem outra maneira de exageradamente admirar tamanha perfeição – você. Tocar sua mão seria um exagero, talvez, logo é possível que o melhor seja parar por aqui. Sentimentos exagerados levam a pensamentos e carícias igualmente exagerados. Mas é só uma maneira meio maluca de chamar o que estou sentindo agora de saudades, e de chamar o que sinto com você de felicidade. Talvez não seja tão bom com as palavras como é possível que eu seja quando exagero nas suas qualidades.

Mal Star de tocar um sol com a mão

25 de outubro de 2011 § 1 comentário

Estrelas são para ser olhadas. Ao tentar tocá-las com a mão, normalmente nos queimamos. Mal Star de um astronauta desajeitado. Com pouca simetria de ideias e muita esquizofrenia eloquente, uma paixão inevitável em poucos instantes transforma-se em dor. E a dor vai crescendo. O mal se aprofundando, apenas porque astronautas desajeitados não aprenderam a pedir licença. E de vôo em vôo, o céu vai ficando pequenininho. A visão vai se esvaindo. E o brilho da estrela só se apresenta na lembrança.

Com poucas cores assim de perto, as explosões vão sendo cada vez mais inevitáveis. Com muitas mechas de saudade, a antipatia vem crescendo como solidariedade. Aquela que se tem por quem é maior. A mesma que é sentida pelo mendigo quando encontra um trabalhador endividado. E naves serão destruídas apenas pelo insano sonho do maldito voador. E as palavras, ainda que não muitas, serão impressões que deveriam ser guardadas. É a turnê de um sofrimento-alegre! É o trio elétrico da fogueira de Israel.

O sonho do astronauta ser escolhido, para ser real, também é a sua morte. A distância, a saudade e a ausência, enfim, serão sempre sua sorte. Para facilitar ainda mais essa mania, para se lembrar ainda mais dessa esperança, existe, em terra, o que se chama noite. Com devoção, podendo admirar lindas estrelas, o sábio mais que humano tem a certeza de que nunca terá o seu calor em plenitude. O tempo e a distância fazem de qualquer astronauta um pensador. A saudade, sentimento sem definição, passa a ser a lógica e o prazer dessa insana conquista. Um minuto de cegueira.

Um quase e um talvez

22 de setembro de 2011 § 2 Comentários

Quase não cumpri minha promessa. Quase me faltaram palavras para descrever sua linda imagem com um sorvete na mão, dentro de um elevador, à minha frente. E um olhar irônico me fez te achar ainda mais interessante. Por pouco não passou despercebida sua gentil presença de sorriso sempre fácil. Talvez você não goste do que eu faço, mesmo assim, quero que saiba que te vi como descrevo: linda. Até cervejas e bares que ainda não houveram para mim, serão mais que motivos bons para descrever você.

Decerto, o que descrevo não há de ser qualquer presença, mas a presença quase musical de alguém que merece os mimos mais gentis e as palavras mais doces. Você. Assim, cerveja, papo bom, e mais um sorriso fácil, tudo isso vem apenas comprovar o que eu te digo.  Vou ficar feliz ao receber um e-mail de trabalho, – seu – um telefonema (também seu) com qualquer solicitação de última hora, ou até a cobrança – desde que venha de seus lábios – de qualquer coisa que deveria ter feito e não fiz. Serei bem feliz se for assim, e serei mesmo. Mas importa é que verei você de novo. Seja no meio da tarde, seja em qualquer outro dia pela manhã ou madrugada. Seja premeditado ou por acaso. Seja no Sol à pino ou no ocaso.

Alguma coisa me diz que és bem sincera. Mesmo não tendo ainda como comprovar, imagino – e isso eu faço muito bem – todo dia suas sinceridades meio que machucando ou ferindo por um bom motivo. Ainda vou te convidar para tomar um sorvete, pra que você pareça mais menina; uma cerveja, para que pareça mais próxima; ou um café, para que fique mais íntima. Conhecida após vinte e cinco outonos, o que vai fazer com suas vinte e três primaveras, mesmo? Quase não te conhecendo, te conheço, e fico curioso pelo que eu ainda não vi. Talvez, o nome disso seja pretensão.

De borboletas e flores

12 de setembro de 2011 § Deixe um comentário

Manhãs e tardes podem ser de brincadeiras. Mas as borboletas no jardim, são reais e coloridas. Por apenas sete dias de perfume e flores, colorem nossas horas com vôos quase incertos, e me fazem olhar para a frente e os lados até encontrar você – ainda que de preto e branco. No jardim que for. Num jardim que você flor. Numa sacada de cimento, numa esquina de vila ou até num banco de praça à moda antiga. E vou ver a borboleta chegar, me mostrando que já é hora de tocar sua mão.
 
Noites e madrugadas são para coisas mais imprecisas. E as borboletas vão simplesmente repousar para, de manhã, poder rever sua beleza, poder sentir o seu perfume e poder alegrar os seus ouvidos com a música que é a sua voz. E, assim como as borboletas, vou aprender a apreciar apenas a melhor da flore, sentir apenas os melhores cuidados e viver, nem que só por sete dias, minha mais forte beleza, numa plena sensação de ser cuidado – sensação que só o seu perfume dá.
 
Enquanto você flor, eu vôo. Enquanto você emana, eu permaneço, pra ser solo. Assim como a borboleta, que, ao te ver, voa à sua volta me fazendo olhar ainda mais de perto. Certo de olhar mais certo. E, quem sabe, sendo eu o sortudo que tudo pode, possa ainda, como uma borboleta, ter mais intimidade com essaa flor, vivendo apenas do seu mel e seu perfume, sem sequer olhar pra trás. Porque, depois de chegar à mais linda flor, é impossível olhar pra trás ou qualquer outra. É por causa dela que jamais eu vi uma borboleta triste.

O que é

10 de setembro de 2011 § Deixe um comentário

Se é mesmo verdade que possamos nos arrepender, deve ser a hora e o momento de render homenagens à deusa Sensatez. Havendo, em qualquer centímetro de mundo algum espaço onde possa te querer sem estar errado, nessa porçãozinha de universo, quero permanecer intacto, até que sua compaixão possa me resgatar. Só mais uma figura de linguagem para demonstrar saudades, desejo e aquelas coisas que só os meus abraços no meio da noite podem fazer. É, estou contente. Devo toda essa alegria a você, suas carícias e seus abraços mais sinceros.

Se tenho mesmo coragem, nesse dia, de ser ainda melhor, tenho também, sensivelmente, a mesma sensação de ser desejado. Como resto, pouco e fraco, sinto-me exatamente no lugar que me deixou, o de adendo, de parte pouca, de  resto. Ademais, apenas mais uma sensação de euforia quando lembro do seu beijo. Apenas mais uma lembrança de alegria, quando me recordo do seu abraço pequeno e muito, do tamanho para me satisfazer. Fico com medo de brincar com as letras, pelo mesmo motivo que me preocupo em não brincar com você.

Em último caso, se é pra te saudar que escrevo tantas coisas, é também para mostrar-te o quanto és a importância de minhas horas, o quanto és motivação de minhas memórias, e o quanto enriqueces meu coração já maltratado pela certeza da distância provocada por uma decisão sua. A noite me chama, e, da rua, tenho a esperança de que apareça esplêndida em cada beco, apenas para meu abraço confortar. E, na rua, tenho a certeza de que não estou tão errado. Saudades do seu abraço magro e carinhoso.

De novo e diferente

7 de setembro de 2011 § Deixe um comentário

E mais uma vez, olhando fotos que você nunca atualiza. Outra, e uma nova vez, deixando um recado na sua caixa de mensagens esperando que você demore a ler. Mais uma de muitas insanidades que só um feriado ou um domingo vazio permitem preencher com minhas tolices. É uma mistura de nostalgia com saudades. De felicidade – de não estar completamente longe – e tristeza – de não estar inteiramente perto. Impura perfeição de tê-la à vista, numa eterna prestação de carícias, que não cessa de me fazer um devedor.

Impuro personagem, me transformo, e reformo todas as memórias para não parecer tão imbecil, idiota ou infantil. Só mesmo o seu sorriso para me tirar desse buraco. Só mesmo a expectativa de uma só menção que faça a mim, para de alegria refazer toda a minha liberdade. Ainda que em outros braços, minha – no espaço único que minha mente criou para nós. Vivo da ilusão de estarmos juntos, da mesma forma que morro a realidade da distância.

Próximo o bastante para dizer que você é importante e especial, mesmo que que não tão perto. Longe o bastante para não me preocupar com as consequências que velhas memórias enterradas pelo tempo podem provocar. Sujo, por ter desejos impróprios quando a razão não faz sentido; à noite. Misturando um pouco do que sou com o que queria ser, apenas para você lembrar de mim. Impuro mesmo é tentar fazer parte da sua memória de sorriso largo, e eu sei disso. Pretencioso demais para o menino que conheceu há doze anos. Cauteloso de menos para o homem que me tornei.

De volta

5 de setembro de 2011 § Deixe um comentário

O mundo é pequeno e dá voltas. E ela insiste e vai e volta. Saudades, eternamente batendo e saudando meu coração engordurado dos excessos de mais uma festa. Álcool só pra induzir a sensata lamentação de mais um dia sem você. Quase menos um dia de mim. Um pouco menos do que mereço ou quero. Para além das surpresas quotidianas que nos deixam ainda mais ligados em nossa sensação. Minha, na verdade. Só minha lamentação de mais uma vez estar longe. Quero um abraço seu, ou apenas seu lindo sorriso.

A vida é curta e repetitiva. Quero repetir você aqui. Como outrora, por acaso e de surpresa em minha sexta. Como antes e com vontade em meus abraços. E nossas bocas buscando uma à outra, e nossas verdades buscando um ao outro. Busco mesmo, ainda que seja envão por um só instante, faço ser eterno, constante, e quase real. E estará em braços que não serão os meus. E fará coisas que eu nunca vou saber. E, no resto, o que teremos é o peso na consciência de um ao outro merecer.

Com apelidos esdrúxulos. Com voz de criança. Com apertos, mordidas, amassos e cuidados nada infantis. Dois formando um, no que mais posso desejar de nossas vontades, assim felicidade. A verdade, ainda que improvável, é o que me mantém aqui: vivo, firme e forte. Amiúde, mais imagens da inesquecível memória de um bem que me faz esperar atento. Certeza. Clareza e impureza dos desejos quase memoráveis. Eu permaneço, você vai. Você volta, eu sei.

Onde estou?

Você está navegando atualmente a Rosa categoria em CONTRADITÓRIO.