O nome das cousas

26 de setembro de 2014 § Deixe um comentário

Falemos sobre cones. E o incômodo vem desses cones que são usados para alterar o tráfego das vias. Dia desses, entrei numa saga para identificar o significado daquilo que me incomodava.

Perguntei a um coleguinha direitista o que ele achava. Sua resposta foi que, para a minha segurança, o cone, presença de um Estado protetor que não podia permitir a desordem em meio àquela obra, foi colocado para que pudéssemos trafegar em segurança. Isso não me satisfez. Perguntei a um segundo coleguinha, este, da esquerda cor-de-rosa, e ele me disse que o cone é uma forma da mídia direitista cercear nosso direito de “ir-e-vir”, mudando a rota da via.

Então encontrei um coleguinha da esquerda radical – sempre mais agitado – , que acrescentou que, por causa do uso excessivo dos cones, pessoas perderam seus empregos no controle do tráfego, e que, por isso, os cones devem ser combatidos, e que haveria uma manifestação contra os cones. – Meio exagerado, pensei. E busquei uma resposta mais centrada, de um quarto coleguinha com ideias de centro, Renan Sarney (?). Esse, muito gentil e pouco afetado, me disse que os cones foram criados como um instrumento de aproximação entre o Estado e as pessoas, para a sua própria segurança, a do Estado e das pessoas, mas que, por causa dos exageros da direita, se tornou um instrumento de supressão dos direitos de liberdade e da diminuição do gasto público com o emprego de controladores de tráfego.

Certamente, pensei, se perguntasse ao Eddie George, tenho a certeza de que ele diria que é um chapéu do Duende Verde, que foi pintado de laranja para uma festa a fantasia em que iria vestido de holandês. E percebi que nessa época de campanha as impressões de todo mundo ficam muito salientes. Assim como o ôimbus  ficou em evidência, pra quem usa e pra quem não usa. Não foi maldade, não de todos.

Quanto ao cone lá da rua? Dei o nome de Fred, por razões pessoais.

Anúncios

Cadê o meu queijo?

30 de abril de 2011 § Deixe um comentário

Alguém mexeu aqui! Alguém está querendo sanduíche. Papilas gustativas e casamentos reais com seminaristas fazendo cambalhota! Foi pra rede: é peixe! Ou seria gol? Vai saber. Em Terra-Brasilis peixe faz gol e fica tudo em casa. De tempos em tempos, então, a manhã fria vai causando calafrios e a silhueta dela só moldando minha mente para amanhecer um pouco mais animado. Outonando suavidades animais. Suado das cobertas, dou-me ao luxo de estar atrasado. Na verdade, um refém mais da insônia que de Orfeu – que já perdeu os braços por aqui.

Fim de mês é o momento ideal pra comer no Japonês. Sushis, sashimis e aqueles pauzinhos só pra irritar um pouco no início. Salmão, coca (american-japanese-food), café pra lembrar que estamos em Terra-Brasilis, que fome! E continuando o dia em formato de barril. Sem pendências. Alguém já viu um barril no SPC ou SERASA? Eu não, portanto, me espelho neles. Arredondados de certeza e rigidez, carregando ou apenas contendo néctares sagrados, grãos necessários e nossa nobre ilusão de riqueza. Mas que beleza! Até em maio vai ter carnaval. O carnaval das compras do dia das mães, logo depois do carnaval sindical de 1º de maio. Esse povo não aprende mesmo, tem apartamento no Campo de Marte – preenchi vinte cupons.

E o pop é beato! O chato fará do pop um beato. Ouvi dizer que seria santo, mas a beatificação o torna beato. Jornalistas formados fazendo confusão: o que nomeia o santo é a canonização, estão ensinando o que na faculdade? TV aberta dá nisso. Ou seria a Emanuelle. Lembram dela? Será que ainda existe? Por fim, cadê o tira-gosto? Não trouxeram, ou levaram, como as espectativas juvenis. E uma madrugada com suco de limão e cigarros. E as grosserias na rede. Estupro virtual de informações pouco úteis. Boa noite.

Medievais costumes – Modernos interesses

21 de abril de 2011 § Deixe um comentário

 

Jejum medieval – consumismo liberal. Cristianismo posto em cheque mais pela postura ruim de religiosos que pela fé em si. É preferível tomar cerveja que discutir essa relação, mas daqui faço os dois. Vamos juntos? Peocupado, como tantos, com os rumos de uma instituição que parece andar para trás, levanto uma questão: onde estarão os profetas do terceiro milênio? Parece-me que longe dos centros urbanos, em solidariedade a tantos outros iguais e pobres. A profecia de ser bom, contra a antiga profecia do falar bem.

Acostumados a comer bezouros, esses proclamadores da Palavra, não ligam de beber café com insetos ou comer açaí com barbeiros. Chagas de Sexta-feira-Santa. De qualquer maneira, gostariam também de pagar por um belo bacalhau, ou por um banquete pascal com vinhos e muita comida. Longe de mim ser contra esse consumo, ele está aí e deve ser para todos – na ilusão democrática, é. Feudo de ovos de Páscoa, formado de uma ilusão de preocupação com a pobreza. Chocolate de qualidade a todos, então, ou obesidade feita da gordura de chocolates baratos.

Gordos, quase feitos para o abate, esses vivedores da verdade não se espantam mais com a futilidade das datas e fazem o que podem. Como seria bom se nossos costumes fossem tão modernos quanto nossos interesses. Minha fé, é a fé nos que tem fome. Minha verdade é a verdade desdentada pelas cáries dos morros e periferia. Minha Páscoa, liberal, vai estar cheia de pessoas que, iguais a mim, se esforçam para fazer o ambiente mais agradável e simples possível. É uma pena. As pessoas vão vendo a Igreja andar para trás. Eu me sinto andando em círculos. Quase feliz Páscoa de olhos semi-abertos.

Mistura de chocolate e roupa suja

21 de abril de 2011 § 1 comentário

 

Chocolates, pães de açúcar, bacalhau, vinho, cerveja e a família reunida. Mais uma vez nesse ano que nem chegou à metade é festa. Mais uma vez nesse meio tempo em que ainda estamos analisando se as coisas vão bem ou não, bagunça. Ovo de páscoa pra criançada, e tudo fica melhor – como se deve. Só a alegria de ver os pequenos barrigudos lambuzados já faz tudo nesses dias valer à pena.

Mais alegria em provocar alegria do que em sentir definitivamente. Haverão brigas, haverá batatas, haverá cerveja e muita gente de fora pra encher o seu barraco. É, nós que sabemos fazer festa. Chega gente, sai gente, entra visita, sai visita: e tudo vira mesmo brincadeira de criança, desde a tradição de comer peixe até as novidades implantadas como a maionese, o macarrão e a amarula. Sábado vai ter churrasco. Domingo, bacalhau com churrasco. Segunda, marmita de bacalhau ou churrasco.

Nessa semana, a fé se mistura com vontade de ficar junto e comer bem. Já que as coisas não vão bem naturalmente, um feriadão pode ajudar. Põe a pimenta na mesa, e a vontade de beber aumenta junto com a conversa fértil de besteiras que, por imposição familiar e etílica, apimenta também as relações com casos que deveriam estar encobertos. Lavar um pouco de roupa suja, e todo mundo volta à vida normal segunda feira. Semana que vem haverá almoço só para fofocar da semana anterior. O que resta é desejar: Feliz Páscoa.

Roda o mundo em Terra-Paulis

16 de abril de 2011 § Deixe um comentário

 Gigante roda Terra-Paulis que arrebata estrangeiros corajosos e covardes. A quem quer conhecer o novo e conviver com a vida e a felicidade, boa sorte! A quem prefira se refugiar em nossos bares, bordéis e inferninhos, boa sorte-quase-morte! em dia de virada cultural me lembro de Chico e sua Roda-Viva. Falava, naquele tempo numa roda que traria as mudanças tanto tanto desejadas. Hoje falo eu na Roda-pólis que traz aquilo que bem desejar o vivedor.

Vive e vem que aqui não falta ninguém. Hoje, nas ruas, mais uma demonstração de antropofagia paulistana, e mais e mais pessoas vindo ver o que só Terra-Paulis tem. Dancem, cantem, vejam, bebam, riam, eu também estarei por lá. E, agradecendo com meus amigos nessa vida Caraíba, pretendo estar em cada canto, nem que só por um pouquinho.

E, com meu óculos de aviador, me sinto sobrevoar a história, a decadência e a glória de homens que ajudaram a construir a metrópole antropofágica que se faz palco de milhões de histórias, de inferninhos a igrejas barrocas ou góticas, que não cessam de colorir nosso cinza tão inspirador. Roda pião, bispo, cavalo, rei, rainha, torre, e faz da festa de hoje o jogo de xadrez mais aclético de que o mundo já tomou conhecimento. Porque aqui, até os prédios dançam pra celebrar Caraibagem.

We also can

20 de março de 2011 § 1 comentário

Eu não quero cantar um hino novo. Quero um novo motivo para cantar o mesmo hino rebuscado dos séculos passados. Liberdade, respeito, dignidade e ambição sem cor, como minha pele parda e indefinida. Perseverança em velhos valores que não nos cabem e velhas posturas que não nos contemplam não podem ser nossa bandeira. Seja bem-vinda nação-cinqüenta-estrelas! As nossas vinte e sete e o nosso sol de liberdade lhes saúdam com respeito, aquele de iguais. Conseguimos conquistas importantes, assim como você.

You can. Está provado, e parabéns já atrasado. But we also can! E verá, se é que já não vê. Sociólogo-presidente; metalúrgico-presidente; revolucionária-presidente – quantos exemplos querer mais? Este aqui é um país de diferenças, de presenças, de paz e de convívio! Devem, aprender conosco: a convivência pacífica leva ao respeito das nações, mesmo que não imediato. Orientais, árabes, europeus, americanos, índios latinos, africanos e nativos, nesta terra verde-diversa são aqui na vastidão, todos irmãos, povo e perspectiva. Caraibagem brasileira: antropofagia pura.

Podemos, em português, ganhar o mundo, abraçar amigos e vencer o medo que em inglês bate ainda em algumams portas. Crescer enquanto economia, na medida em que nosso povo também cresce, vence e ganha motivos pra cantar vem sendo lição de casa. Senhor Obama, seja sincero, não há lugar em que um “nós podemos” faça mais sentido. Então, não faça como seus antecessores, e deixe de ficar sentado. Aproxime-se dessas nações de outras línguas e religiões, elas podem em árabe, russo, chinês, e em muitas outras línguas. Nesta casa-Brasil, somos irmãos, todos iguais. Diversidade surpreende. Como poderão agir velhos Senhores? Aprender com Caraíbas parece o mais inteligente. Um povo heróico, de brado retumbante e pele avermelhada lhe convida a perceber: Nós também podemos, em um sim de várias línguas!

Feito pra Você

30 de setembro de 2009 § 1 comentário


Besteira se preocupar com o limite do cheque especial. Preocupação muito boba de quem não tem mais o que fazer. Coisa de gente imbecil, que leva a vida a cumprir oito inúteis horas-bundas diárias em troca de um salário, quinhão-nosso de cada dia, que nos valoriza, custifica, quantifica a identidade.


Porque o sonho de pais como o meu é ter um filho trabalhando seis horas por dia, a partir das dez da manhã, com benefícios celetistas, corporativistas, e o mais atrativo: greve anual! O sonho de todo trabalhador assalariado é ter seu inegável direito a atrapalhar a vida e o direito dos outros: a modernidade bancária! O inalienável direito de cercear a liberdade dos demais, negando-lhes a necessária prestação de serviço, pela qual são tributadas onerosas taxas de juros ou tarifas excessivas por pacotes de serviços pouco atraentes a clientes comuns que querem apenas receber seu naco.


Um serviço já mal prestado para o valor por ele cobrado, chegando ao desrespeito completo quando ofende milhões de trabalhadores, afastando desses seu direito constitucional de ser proprietário de seus bens, de seu valor econômico, de ter acesso a essa propriedade. Até porque o segmento Prime, Vip, ou Platinum dessas justas instituições permanece sem qualquer prejuízo no atendimento ou na prestação de informações.


É a beleza do Van Gogh nas transações financeiras on line ou no bankfone-fácil da mensagem: o melhor da vida acontece! Surreal existir da SELIC no mais alto valor que um ser humano pode ter: os benefícios pecuniários da realidade econômica feita pra você!

Onde estou?

Você está navegando atualmente a Notícias e política categoria em CONTRADITÓRIO.