Dias em que a chuva cai

23 de novembro de 2012 § Deixe um comentário

Comendo pão de fibras e tomando guaraná. Conversando com gente que nem conheço direito. Pela internet, pela janela.
Pelos momentos bons de se lembrar. Pelos pelos meus em sua pele pura e nua. Coisas de fazer morrer de rir. Meias palavras
para sensações inteiras. Um pouco de pressão alta, um pouco de indigestão.

Assinando papéis de outras pessoas como quem a elas devesse, ou como quem com elas se comovesse. Controlando as palavras
e escolhendo as horas mais impróprias para ser o necessário. Eu quero um copo de cerveja para tomar depois de te comer.
Aperitivo de dias quentes. Cobertor dos meus dias frios. Guarda-chuva de canivete.

Podem até brigar, e uma hora dessas podem me fazer lembrar. Como se eu pudesse esquecer as loucas horas que de pouco em pouco
me fizeram ser mais nós do que eu mesmo. Quase um pirulito de pimenta, temperado na radioatividade de seu pouco humor, seu pouco amor
e nossa pouca habilidade em estar juntos. Ainda bem que o céu abre de vez em quando.

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Feliz Natal como se deve

23 de dezembro de 2011 § 1 comentário

Nessa época, uns anos atrás, minha família se reunia. Ficávamos ansiosos com os parentes vindos de longe e com toda a primaiada que ajudava a fazer da festa algo ainda mais feliz, e a gente brigava tanto!  A gente comia na mesa, depois da meia noite, e até o especial do Roberto Carlos era especial de verdade para nossa reunião. Nesses dias de verão e festas, em que é possível parar pra conversar, comer bolo, rabanada, peru, coalhada e muito, muito doce, um sentimento de que tudo valeu a pena sempre ocorre, deixando para trás tudo aquilo que ainda não veio. Ou antecipando muito do que há de vir.

Hoje, com toda a correria, alguns de nós trabalhamos. Outros ficam em casa pra folgar no ano novo. E, mesmo aqui, na mesa do trabalho, todos esses sentimentos voltam pra colorir também os dias burocratas. As memórias de todo um ano que passou, e os projetos para o ano que insistimos em acreditar muito melhor. Alguns sozinhos em suas casas, outros na casa da mamãe ou da família, e ainda outros na balada, pra espantar a solidão. De igual o mesmo desejo da época de infância, em que a única preocupação era passar de ano para ganhar um presente melhor ou uma viajem – e comer rabanada.

Na viajem de 2011, todas as palavras foram ditas e ouvidas ao bel prazer de quem se propôs a conversar. Todos os mal-entendidos foram criados e desfeitos, na mesma fome de quem come rabanada. E cada um, na sua melhor maneira de ser, tem o mesmo desejo de um peru com farofa, depois de alguma discussão familiar. Em casa, por muitos anos sem saber, aprendemos como seriam todos os natais dali pra frente: com saudades dos pais, da família, ou apenas da comida farta e dos mal-entendidos que só o Natal provoca. Feliz Natal como se deve!

Precisão

14 de dezembro de 2011 § 1 comentário

Você precisa dormir mais. Precisa deitar, com a cabeça tranquila em meu peito depois de uma noite de carícias, esquecendo, como uma criança, de todas as mazelas do dia que nos levaram até ali. Medidas desesperadas que não nos deixam dormir. Precisa aprender a sonhar sem motivos e também precisa aprender a lidar com sonhos e frustrações. São apenas degraus, que somos obrigados a passar para chegar em algum lugar mais longe da enchente.

Você precisa aprender a conversar mais sobre coisas menos importantes, sem entrar em assuntos polêmicos, sem emitir qualquer opinião, como devemos fazer de vez em quando, quando estamos realmente humanizados pelas nossas pequenas impotências. Precisa aprender a deixar as coisas de lado um pouco, fazendo dos dias, não apenas pesos de uma expiação eterna, mas também uma tarde de sol na praia, logo depois de um engarrafamento. Precisa dar mais abraços, mais olhares sutis e menos broncas.

Você precisa, por fim, de um caminho mais leve, sem amarras. Precisa entender o quanto és linda, o quanto as responsabilidades mostram o seu valor e a sua beleza aflora sua personalidade igualmente linda. Precisa de alguém que olhe menos para si do que para você, e alguém que prioriza cada segundinho do dia ao seu lado, seja em um encontro social ou sobre uma cama, depois de um ligeiro porre. Precisa esquecer que o passadofoi tão ruim, para aprender com o presente e o futuro, assim como as melhores lições, de forma devagar e intensa. As melhores paixões ocorrem quando fazemos tudo errado, e mesmo assim estão ali. Está na hora de aceitar o meu convite, assim como me esforço em adequá-los à sua realidade. Uma carícia meio grosseira de quem cuida de você. Mesmo de longe, cuidado preciso.

Quem ainda não conheceu o exagero

4 de dezembro de 2011 § 1 comentário

Muito prazer! Exagero deveria ser substantivo abstrato, nesse caso, porém, é título de nobreza gentil e também nome, e aqui estou. Simples, sincero, sutil e muito, muito persistente. De perseguir sonhos e metas quase impossíveis, chamam-me eventualmente de Determinação, mas é puro e simples exagero que minha identidade insiste em exalar, nada mais. E de verdade eu percebo o quanto sua chegada me torna ainda mais exagerado. Eu sofro com sua saída – mesmo que ainda só um pouquinho. Num momento de falta de sensatez, desejo sofrer mais, só para ter podido perceber mais vezes sua chegada.

Exagerado que sou, por qualidade e não por definição, vou ligar, mandar mensagens, escrever, pensar e sonhar com momentos em que usarei de exageros ainda mais próximos. Ao invés de te ligar, iria te abraçar, te olhar de perto. E nem assim, nem se eu quisesse, meu exagero me deixaria perceber qualquer imprecisão, por menor que fosse, em seu semblante. Exageradamente perfeita e feita para caber no meu abraço, é como o Exagero – e eu – percebemos você: do tamanho necessário para ter o melhor olhar e o mais belo sorriso. Pequenina, vem só pra me encantar igualzinho gente grande.

Nas voltas que meu exagero faz em minha mente, sorrio ao lembrar nossas conversas. E fico ali, bem bobo, quando te olho, só porque não tem outra maneira de exageradamente admirar tamanha perfeição – você. Tocar sua mão seria um exagero, talvez, logo é possível que o melhor seja parar por aqui. Sentimentos exagerados levam a pensamentos e carícias igualmente exagerados. Mas é só uma maneira meio maluca de chamar o que estou sentindo agora de saudades, e de chamar o que sinto com você de felicidade. Talvez não seja tão bom com as palavras como é possível que eu seja quando exagero nas suas qualidades.

Um quase e um talvez

22 de setembro de 2011 § 2 Comentários

Quase não cumpri minha promessa. Quase me faltaram palavras para descrever sua linda imagem com um sorvete na mão, dentro de um elevador, à minha frente. E um olhar irônico me fez te achar ainda mais interessante. Por pouco não passou despercebida sua gentil presença de sorriso sempre fácil. Talvez você não goste do que eu faço, mesmo assim, quero que saiba que te vi como descrevo: linda. Até cervejas e bares que ainda não houveram para mim, serão mais que motivos bons para descrever você.

Decerto, o que descrevo não há de ser qualquer presença, mas a presença quase musical de alguém que merece os mimos mais gentis e as palavras mais doces. Você. Assim, cerveja, papo bom, e mais um sorriso fácil, tudo isso vem apenas comprovar o que eu te digo.  Vou ficar feliz ao receber um e-mail de trabalho, – seu – um telefonema (também seu) com qualquer solicitação de última hora, ou até a cobrança – desde que venha de seus lábios – de qualquer coisa que deveria ter feito e não fiz. Serei bem feliz se for assim, e serei mesmo. Mas importa é que verei você de novo. Seja no meio da tarde, seja em qualquer outro dia pela manhã ou madrugada. Seja premeditado ou por acaso. Seja no Sol à pino ou no ocaso.

Alguma coisa me diz que és bem sincera. Mesmo não tendo ainda como comprovar, imagino – e isso eu faço muito bem – todo dia suas sinceridades meio que machucando ou ferindo por um bom motivo. Ainda vou te convidar para tomar um sorvete, pra que você pareça mais menina; uma cerveja, para que pareça mais próxima; ou um café, para que fique mais íntima. Conhecida após vinte e cinco outonos, o que vai fazer com suas vinte e três primaveras, mesmo? Quase não te conhecendo, te conheço, e fico curioso pelo que eu ainda não vi. Talvez, o nome disso seja pretensão.

Abram-se as cortinas!

20 de setembro de 2011 § 2 Comentários

Eu prefiro a simplicidade de palcos menores, com menos metros quadrados pra fazer peripécias. Prefiro a exclusividade de uma plateia de uma só. Tenho mais queda por palcos com cortina, mas persianas que podem ser fechadas no meio do espetáculo sem nenhum prejuízo da condução do nobre ato.  Que a luz, meia e fraca, ou penumbra, ou forte, ou neon, seja do jeito que pedir a imaginação dos produtores, e possa realizar cada um de seus sonhos na divagação de um texto improvisado, mesmo que sem palavra alguma.

Prefiro a sutileza de um ingresso incopiável, sem direito a meia entrada, e com a perfeita introdução de minha moderna dança em comunhão com seu sorriso. Prefiro o aplauso contido de minha exclusiva expectadora às massas e multidões desvairadas e frenéticas suando de desejo pelo que não conhecem. Prefiro a boca única de minha assistente de palco, às dançarinas de programa de auditório ou modelos milionárias.

Tenho, definitivamente atração por uma arte que só pode ser totalmente contemplada a dois, entre mim e você, ainda que por algum tempo você corra. E, mesmo que seja o palco uma cama, e a plateia apenas minha doce senhora de uma noite só, um quarto de motel poderá ser lugar de muita arte. Prefiro a exclusividade de uma peça de ato único a dois, do que uma temporada no municipal, mas, é bem verdade, uma coxia também serve.

Sem querer, não por acaso

20 de setembro de 2011 § 1 comentário

Foi sem querer que, pela primeira vez, olhei seus olhos. Sem querer, inclusive, nos falamos e foi bom. Sem querer, por vezes, nos vimos, e, te olhando como quem nada quer, me encantei. Sem querer te chamei pra sair, e traí a mim mesmo, quando, depois de um não, insisti até ouvir seu sim. Sem querer me envolvi na história mais sem sentido que poderia ter acontecido. E me vi, sem nenhuma motivação aparente com saudades de você.

Lutei contra essa vontade. E relutei em te aceitar definitivamente em meus braços. Por força do calor do seu abraço, sem que fosse minha vontade, me perdi. Perdido em nossas horas, pude perceber uma decisão de todo dia, uma intenção de meus cuidados e o furor que só um carinho seu e único traz, mas minha razão dizia outra coisa. Contra a minha vontade, fui arrastado até a porta da sua casa, até o sofá da sua mãe. Até uma apresentação que preferia que tivesse sido mais tarde. Até uma condição de estar juntos que, mesmo que eu não queira, é a minha atual realidade.

Em minha já pouca liberdade, também não quis me expor, mas novamente me traí, e fui jogado à linda confusão de seus olhos mais gentis. Á perfeita perversão de sua realidade, faço bons planos. E, quando sozinho em casa, mesmo que minha vontade seja outra, fico pensando em qual será o seu vestido de amanhã, sonhando com o dia em que, novamente, serei eu o motivo de toda a sua produção. Sem querer, não por acaso, fiz de você minha menina.

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