Dias em que a chuva cai

23 de novembro de 2012 § Deixe um comentário

Comendo pão de fibras e tomando guaraná. Conversando com gente que nem conheço direito. Pela internet, pela janela.
Pelos momentos bons de se lembrar. Pelos pelos meus em sua pele pura e nua. Coisas de fazer morrer de rir. Meias palavras
para sensações inteiras. Um pouco de pressão alta, um pouco de indigestão.

Assinando papéis de outras pessoas como quem a elas devesse, ou como quem com elas se comovesse. Controlando as palavras
e escolhendo as horas mais impróprias para ser o necessário. Eu quero um copo de cerveja para tomar depois de te comer.
Aperitivo de dias quentes. Cobertor dos meus dias frios. Guarda-chuva de canivete.

Podem até brigar, e uma hora dessas podem me fazer lembrar. Como se eu pudesse esquecer as loucas horas que de pouco em pouco
me fizeram ser mais nós do que eu mesmo. Quase um pirulito de pimenta, temperado na radioatividade de seu pouco humor, seu pouco amor
e nossa pouca habilidade em estar juntos. Ainda bem que o céu abre de vez em quando.

Eu cuido de você

17 de outubro de 2011 § Deixe um comentário

Pequenas historinhas e coisas bobas de criança apenas pra provocar sorriso. Bebetazinha linda pra gostar de sorriso, carinho e mimos. Flor que fica aguardando borboletas e beija-flores, que passeiam à sua volta só pra sentir o seu perfume. Gosto do seu sorriso de perfil. Gosto de quando manda mensagens. Gosto de quando fala comigo no meio do dia. Gosto de quando apenas aparece com seu brilho nos olhos que pouco posso ver.

Durante uma montanha de coisas que me identificam com outros burocratas, um momento pra parar e provocar certo rubor de flor acanhada, e eu me distancio dos demais por ter uma florzinha. E qualquer motivo pra te chamar bebetazinha. Seja por saber quem você é há muito tempo, seja por eu ter alguns anos a mais que a florzinha. Passeios e arco-íris envolvem o desejo, os sentidos e ajudam a matar saudades. Ainda que a distância esteja determinada, seu perfume há de avançar por toda a parte, provocando meu ruminar, meu degustar e meu desejo.

Pequenina, linda, sorridente. Não posso me esquecer a beleza dessa florzinha, assim como também não posso deixar de ter pedir: sorri pra mim! Vou ficar olhando, como um bobo, e puxando assuntos de onde nem imaginava. Vou procurar um jardim bom, e cultivar essa florzinha como se fosse minha rainha. Sendo assim, a princesinha, haverá ainda mais beleza, mais música e mais carícias pra fazer você lembrar: eu cuido de você bebetazinha!

Esfera

5 de outubro de 2011 § Deixe um comentário

Redondo. Relacionando matemática, física e simbolismo numa existência quase perene de quem já deixou o twitter de lado. Talvez pelo fato de não poder postar o tempo todo, ou de achar irrelevante o meu prato do almoço, situo cada coisa no seu devido lugar. Para os íntimos, as intimidades, para o público, as publicações. Deveras descoladas uma da outra ou apenas uma adaptação ao que a última vem significar. Vida, jogo, tempo, cores, demora, espera, temores e fome. Alguns exames médicos para constatar: estresse virtual.

Quadrado? Apenas por ser mais dedicado ao simples que ao composto? Acredito, contraditoriamente haver no simples muitos compostos reunidos: sensações, ambições, lembranças, constatações e até metamorfose de algumas partes de mim que deveriam ter ficado pelo caminho e não ficaram. Agora parte do que sou. Todo igual e renovado, passo a fazer de minhas madrugadas insones, momentos de reflexão e meditação de quem consegue mais que ser gente, ser pessoa. Um total interesse de receber um abraço único de quem me completa, ou diversos abraços de quem me anima. Cada coisa no seu tempo.

Com todos os lados voltados para fora, uma esfera não pode avaliar seu interior. Porém sentí-lo, isso sim, já deve ser boa parte do caminho. Assim como quando, apesar das complicações de uma conversa longa, um abraço surge no meio do nada. Calados, ambos põe-se a chorar. Algumas vezes até um arremedo de sorriso fica comovente. Corações se tocam. Vergonhoso é ser uma esfera sem abraços. Para evitar o vazio,rodeia-se de amigos, preenchendo cada instante de algo mais que de si mesmo. Preenchendo de carinho, o que outrora fora apenas ar. Atmosfera carinhosa deveria ser um estilo de vida. Estio de violência. Estímulo de boa ação.

Sensibilidade contida

5 de outubro de 2011 § Deixe um comentário

Um minuto de lembrança em meio a horas de saudades e de espera. Um instante de prazer e uma única constatação a bater vinte e quatro horas por dia: é você a minha menininha! Declarando ou não, a cada instante descubro um novo jeito de olhar você, de desejar seus carinhos, e de planejar algum futuro. Relação que se define justamente pela contingência em tê-la aqui por perto. E o distante se faz pouco, e cada muro se rebaixa. Acima e para os lados, apenas a linda menina que ilumina dias, noites e até madrugadas insones.

Aquelas coisas de dia-a-dia ficam ainda menos importantes quando ouço o doce som da sua voz a me contar alguma coisa de sua rotina, ou mesmo ao me perguntar o que vou persistir em calar pra não ser chato. Como num charco, umedeço dos pés à cabeça, na impressão de que meu sol venha me secar. Fico todo bagunçado, igual criança, para que minha tutora venha me arrumar. Num daqueles acessos-surto de vontade de você, vou inquietar até poder trazer a mais gentil sensação à sua pele macia e branca.

O brilho dos seus olhos vai me fazer lembrar das estrelas que admiro à noite, pela janela. Sua boca pequena vai me lembrar que existe doçura mesmo nos dias mais difíceis. E o som que sai de seus lábios, me remete a ouvir música, apenas pra recordar a sensação de prazer e carinho que provoca quando fala. De mãos dadas, temos um mundo à nossa frente. Abraçados, um universo para conquistar. Lembrando um do outro, podemos qualquer coisa, ainda que sejam palavras sensíveis de alguém encantado com você. E tudo isso começou cantando junto. Canta comigo de novo?

Percepções

26 de setembro de 2011 § 1 comentário

Amizades são motores sólidos e bases confortáveis de onde se deve partir. Família é, como Deus, um fundamento que justifica uma série de posturas e de existências, de modo a fazer de criminosos, vítimas; e de pecadores santos. Digamos que, desde que a lei da causalidade é tida como verdade, não há culpa, dolo ou mesmo livre-harbítrio. E concebemos a realidade da maneira mais patética imaginada, ou da mais recriminadora e paterna já conhecida. Algumas vezes até com a imaginação de estar fazendo algo novo. Como Deus não é justificativa para qualquer crime, a família não me tira a culpa. E a verdade, nesse trecho, parece até contraditória.

Relações são trocas em que ceder é inevitável e barato. O mais difícil é reconhecer a necessidade de fazer a melhor cessão. Ou seria a impossibilidade de fazer esse julgamento? De qualquer forma, percebo que é de poucas ou excessivas cessões que as relações terminam em um prolongado embuste de felicidade na imagem burguesa de casal ou de convívio social. Reconheço como verdade, como deveria ser, mais as palavras da minha mãe, depois de passado o calor da discordância natural de minha mente, do que as suaves palavras de meus amigos. Essa segunda me conforta mais, a primeira, me educa.

E, apesar de ser construído de uma série de causalidades, tenho em mim uma centelha de razão que me faz diferente de um sapo ou um cachorro mal-tratado. Dessa forma, se eu cometer algum crime, esteja de antemão declarado que fui eu – ainda que não em pleno uso das minhas faculdades mentais – porque, enquanto pessoa, prefiro a dignidade de ter um ato reconhecido como crime – e meu – do que a patética posição de vítima da sociedade, de uma mente tosca, ou de uma educação ruim. Percebo mais do que gostaria, que, ainda que faça algo ruim, tenho a necessidade e o egoismo de reconhecer como meu. Assim, me orgulhando dos meus vícios, da mesma maneira que me orgulho de provocar sorrisos sinceros. Percebo aí muita verdade.

Enamorados

26 de setembro de 2011 § 1 comentário

O que deve ser tem força. Assim como nossas mão unidas depois de um bom filme, ou nosso beijo carinhoso no aproveitamento da escuridão da sala. Devem ser. Planos, cuidados, abraços, sentidos. E o nosso sentido, junto com o nosso sentimento devem ser. Mais uma vez, entregues, temos a complacência de velhos bem vividos e a energia de jovens sonhadores. Tudo junto e misturado apenas pra ser uma história de verdade. A nossa.

Maior do que os machucados, as dores, ou mesmo nossos medos, o nosso desejo de que seja bom. Já é. Tem força, porque é assim que deve ser. É justo que bocas que se desejam se toquem, se misturem. É claro e evidente que o dever se sobrepuja sobre todas as outras probabilidades, construindo linhas vivas e gentis de um novo e carinhoso casal que se une em pleno domingo à noite, e termina por fazer planos mais que longos e inesperados. Jogar-se, assim, é inevitável, como é inevitável, igualmente, te olhar durante um breve passeio pelas ruas do bairro, ou um leve passeio gentil de minhas mãos em sua silhueta.

Desavergonhadamente decididos a ser em público. Desprezando auditorias e especulações. Promovendo carícias públicas numa novidade excêntrica de casal faminto. De ter fome que a comida se faz boa. De ter sede que a água se torna a melhor bebida de que se conhece. De desejarmos um ao outro, nos fazemos a melhor opção, a maior riqueza, e o cuidado necessário do outro. Parte dos meus dias e das minhas horas, agora, são apenas a verdade de estar com você, te ligar, ou simplesmente planejar nosso próximo programa de casal.

Um quase e um talvez

22 de setembro de 2011 § 2 Comentários

Quase não cumpri minha promessa. Quase me faltaram palavras para descrever sua linda imagem com um sorvete na mão, dentro de um elevador, à minha frente. E um olhar irônico me fez te achar ainda mais interessante. Por pouco não passou despercebida sua gentil presença de sorriso sempre fácil. Talvez você não goste do que eu faço, mesmo assim, quero que saiba que te vi como descrevo: linda. Até cervejas e bares que ainda não houveram para mim, serão mais que motivos bons para descrever você.

Decerto, o que descrevo não há de ser qualquer presença, mas a presença quase musical de alguém que merece os mimos mais gentis e as palavras mais doces. Você. Assim, cerveja, papo bom, e mais um sorriso fácil, tudo isso vem apenas comprovar o que eu te digo.  Vou ficar feliz ao receber um e-mail de trabalho, – seu – um telefonema (também seu) com qualquer solicitação de última hora, ou até a cobrança – desde que venha de seus lábios – de qualquer coisa que deveria ter feito e não fiz. Serei bem feliz se for assim, e serei mesmo. Mas importa é que verei você de novo. Seja no meio da tarde, seja em qualquer outro dia pela manhã ou madrugada. Seja premeditado ou por acaso. Seja no Sol à pino ou no ocaso.

Alguma coisa me diz que és bem sincera. Mesmo não tendo ainda como comprovar, imagino – e isso eu faço muito bem – todo dia suas sinceridades meio que machucando ou ferindo por um bom motivo. Ainda vou te convidar para tomar um sorvete, pra que você pareça mais menina; uma cerveja, para que pareça mais próxima; ou um café, para que fique mais íntima. Conhecida após vinte e cinco outonos, o que vai fazer com suas vinte e três primaveras, mesmo? Quase não te conhecendo, te conheço, e fico curioso pelo que eu ainda não vi. Talvez, o nome disso seja pretensão.

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