Precisão

14 de dezembro de 2011 § 1 comentário

Você precisa dormir mais. Precisa deitar, com a cabeça tranquila em meu peito depois de uma noite de carícias, esquecendo, como uma criança, de todas as mazelas do dia que nos levaram até ali. Medidas desesperadas que não nos deixam dormir. Precisa aprender a sonhar sem motivos e também precisa aprender a lidar com sonhos e frustrações. São apenas degraus, que somos obrigados a passar para chegar em algum lugar mais longe da enchente.

Você precisa aprender a conversar mais sobre coisas menos importantes, sem entrar em assuntos polêmicos, sem emitir qualquer opinião, como devemos fazer de vez em quando, quando estamos realmente humanizados pelas nossas pequenas impotências. Precisa aprender a deixar as coisas de lado um pouco, fazendo dos dias, não apenas pesos de uma expiação eterna, mas também uma tarde de sol na praia, logo depois de um engarrafamento. Precisa dar mais abraços, mais olhares sutis e menos broncas.

Você precisa, por fim, de um caminho mais leve, sem amarras. Precisa entender o quanto és linda, o quanto as responsabilidades mostram o seu valor e a sua beleza aflora sua personalidade igualmente linda. Precisa de alguém que olhe menos para si do que para você, e alguém que prioriza cada segundinho do dia ao seu lado, seja em um encontro social ou sobre uma cama, depois de um ligeiro porre. Precisa esquecer que o passadofoi tão ruim, para aprender com o presente e o futuro, assim como as melhores lições, de forma devagar e intensa. As melhores paixões ocorrem quando fazemos tudo errado, e mesmo assim estão ali. Está na hora de aceitar o meu convite, assim como me esforço em adequá-los à sua realidade. Uma carícia meio grosseira de quem cuida de você. Mesmo de longe, cuidado preciso.

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Abram-se as cortinas!

20 de setembro de 2011 § 2 Comentários

Eu prefiro a simplicidade de palcos menores, com menos metros quadrados pra fazer peripécias. Prefiro a exclusividade de uma plateia de uma só. Tenho mais queda por palcos com cortina, mas persianas que podem ser fechadas no meio do espetáculo sem nenhum prejuízo da condução do nobre ato.  Que a luz, meia e fraca, ou penumbra, ou forte, ou neon, seja do jeito que pedir a imaginação dos produtores, e possa realizar cada um de seus sonhos na divagação de um texto improvisado, mesmo que sem palavra alguma.

Prefiro a sutileza de um ingresso incopiável, sem direito a meia entrada, e com a perfeita introdução de minha moderna dança em comunhão com seu sorriso. Prefiro o aplauso contido de minha exclusiva expectadora às massas e multidões desvairadas e frenéticas suando de desejo pelo que não conhecem. Prefiro a boca única de minha assistente de palco, às dançarinas de programa de auditório ou modelos milionárias.

Tenho, definitivamente atração por uma arte que só pode ser totalmente contemplada a dois, entre mim e você, ainda que por algum tempo você corra. E, mesmo que seja o palco uma cama, e a plateia apenas minha doce senhora de uma noite só, um quarto de motel poderá ser lugar de muita arte. Prefiro a exclusividade de uma peça de ato único a dois, do que uma temporada no municipal, mas, é bem verdade, uma coxia também serve.

Sem querer, não por acaso

20 de setembro de 2011 § 1 comentário

Foi sem querer que, pela primeira vez, olhei seus olhos. Sem querer, inclusive, nos falamos e foi bom. Sem querer, por vezes, nos vimos, e, te olhando como quem nada quer, me encantei. Sem querer te chamei pra sair, e traí a mim mesmo, quando, depois de um não, insisti até ouvir seu sim. Sem querer me envolvi na história mais sem sentido que poderia ter acontecido. E me vi, sem nenhuma motivação aparente com saudades de você.

Lutei contra essa vontade. E relutei em te aceitar definitivamente em meus braços. Por força do calor do seu abraço, sem que fosse minha vontade, me perdi. Perdido em nossas horas, pude perceber uma decisão de todo dia, uma intenção de meus cuidados e o furor que só um carinho seu e único traz, mas minha razão dizia outra coisa. Contra a minha vontade, fui arrastado até a porta da sua casa, até o sofá da sua mãe. Até uma apresentação que preferia que tivesse sido mais tarde. Até uma condição de estar juntos que, mesmo que eu não queira, é a minha atual realidade.

Em minha já pouca liberdade, também não quis me expor, mas novamente me traí, e fui jogado à linda confusão de seus olhos mais gentis. Á perfeita perversão de sua realidade, faço bons planos. E, quando sozinho em casa, mesmo que minha vontade seja outra, fico pensando em qual será o seu vestido de amanhã, sonhando com o dia em que, novamente, serei eu o motivo de toda a sua produção. Sem querer, não por acaso, fiz de você minha menina.

A delicadeza de uma resposta

14 de setembro de 2011 § 2 Comentários

Vou pedir simplesmente que responda sim às minhas gentilezas. Que aceite meus gracejos mais gratuitos e que receba meus presentes mais inusitados. Vou pedir, e aguardar um sim como resposta, a cada vez que decidir mais uma vez por te acariciar. Cada uma dessas carícias será exatamente perfeita, na medida em que tiver como resposta a sua aproximação ou arrepio. E ainda será nova, a cada momento em que renovar o meu olhar sobre você com seu jeito exclusivo e único de se arrumar ou de deixar seu cabelo. Ali, me confndindo.

Vai me fazer hipnotizado, a cada vez que me olhar com esse enorme par de olhos que me prende. Com esse lume que guia meu olhar a uma atenção exclusiva da sua existência. Com esse carinho que te faz única, mesmo quando tenta se fazer distante. E pode ser que eu exceda meus limites, meus espaços, e até meus próprios esforços. Mas serei grato a qualquer segundo que dedique às minhas patéticas visões do mundo, ou às minhas cansativas concepções e histórias da realidade recente.

No sim do lanche no microondas, serei patético. No sim do MC Donalds, serei mais que satisfeito. No sim de nossa baladinha, serei ainda mais do que você pode imaginar – serei realizado. E bastará apenas um torpedo para que eu possa fazer-me todo esperança de um dia poder olhar esses seus lumes mais de perto. Na calmaria que um bom lençol branco pode oferecer. Minha delicadeza será a de sempre buscar um travesseiro no chão, de manhã cedo, para que possamos curtir um bom cigarro, um bom filme, ou mesmo um bom papo trivial . Acorda comigo?

A-mi-za-des

10 de setembro de 2011 § Deixe um comentário

Porque nascem de lembranças de infância: amigos. Ou de um comentário bobo na balada. Amigos… Porque passam por apontadores emprestados, ou por grafites que jamais são devolvidos. Bem do lado que menos esperamos aparecem. Aos montes, em duplas, um a um. Amigos. Tem aqueles que construímos com o tempo, e do tempo fazem sua salvação. Velhos amigos. De inimizade ou mesmo de uma paixão, vêm e tomam seu espaço sem pedir. Família escolhida, declarada, preferida. Desejo de dias bons, certeza, nos ruins. A-mi-gos.  

Que correm pra brincar e até brigar. Amigos! Os primeiros a sempre manifestar. Um carinho, um cuidado ou reprimenda. Coisa sentida gratuita e proferida, de sentimento que não pede nada em troca. Seja por afinidade, ou afeto desregrado, são aqueles que preenchem dias cinzas com as cores das flores mais ingênuas. Amigos do peito. Colorem as negras lembranças de tristeza, nos mostrando o azul por detrás de grossas nuvens. E há quem diga que não são prioridade. Mas, à noite, é de quem nos preocupamos.

Como pode existir algo maior? Como pode existir algo mais simples? Amigos? Torcendo pro mesmo time, e até contra, ou apenas ali do lado, sem falar. Para ser o que de mais puro nos conforta. Na mais simples sensação de abraço fácil. Amiguinhos. Não esquecendo de sorrir e chorar junto, seja ele – amigo – de tempos, ou de agora. Sendo sempre o cuidado-amigo sem cobrança e a história com desvelo e com pujança. Na fina camada sempre certa da presença (amiga) que ainda sem palavras fala mais. E há quem diga que pode viver sozinho.

De novo e diferente

7 de setembro de 2011 § Deixe um comentário

E mais uma vez, olhando fotos que você nunca atualiza. Outra, e uma nova vez, deixando um recado na sua caixa de mensagens esperando que você demore a ler. Mais uma de muitas insanidades que só um feriado ou um domingo vazio permitem preencher com minhas tolices. É uma mistura de nostalgia com saudades. De felicidade – de não estar completamente longe – e tristeza – de não estar inteiramente perto. Impura perfeição de tê-la à vista, numa eterna prestação de carícias, que não cessa de me fazer um devedor.

Impuro personagem, me transformo, e reformo todas as memórias para não parecer tão imbecil, idiota ou infantil. Só mesmo o seu sorriso para me tirar desse buraco. Só mesmo a expectativa de uma só menção que faça a mim, para de alegria refazer toda a minha liberdade. Ainda que em outros braços, minha – no espaço único que minha mente criou para nós. Vivo da ilusão de estarmos juntos, da mesma forma que morro a realidade da distância.

Próximo o bastante para dizer que você é importante e especial, mesmo que que não tão perto. Longe o bastante para não me preocupar com as consequências que velhas memórias enterradas pelo tempo podem provocar. Sujo, por ter desejos impróprios quando a razão não faz sentido; à noite. Misturando um pouco do que sou com o que queria ser, apenas para você lembrar de mim. Impuro mesmo é tentar fazer parte da sua memória de sorriso largo, e eu sei disso. Pretencioso demais para o menino que conheceu há doze anos. Cauteloso de menos para o homem que me tornei.

Pressentimentos

5 de setembro de 2011 § Deixe um comentário

De alguma maneira, a verdade pode estar quase aparente: eu não me fui, você não ficou. Aonde ela estará? – certeza clara e plena, mas, para me enganar, me pergunto novamente – Onde será que ela estará? – pensando em você, por algumas vezes eu me pergunto até retornar à mesma conclusão. Temo o tremor de saber a verdade, tenho a temperança de um velho, e decerto sei que não estarei lá tão cedo. Guardo minha parte em saudades, apenas por não querer dizer claramente o quanto sinto sua falta. Uma hora dessas pode ser que eu canse.

Mesmo que eu nunca me case, a lembrança que me motiva é a mesma que me faz sofrer. Decepcionado de sua decisão de ir embora, também sou seu maior motivador, que vai, por vezes, também te pedir que não fique mesmo. Isso não diminui minha tortura e muito menos minha saudade. Tocar, nem que seja por uma só vez sua pele em carícia única é, além de meu maior desejo, minha mais imprópria contemplação da verdade. A criação é o fim e o princípio dos meus cuidados por você.

Sinto mesmo falta de quem não vai suprir minha saudade. Tenho pena desse pesar que carrego pelo simples fato de não me conformar com essa distância. Eu sei da sua política, e mesmo assim, não desisto nem tento. Esperando pelo dia em que possa voltar para casa com você. Doce inspiração que apenas esse par de olhos expressivos, gentis e fortes pode provocar em meu peito Caraiba. Talvez esteja pressentindo sua chegada, apenas mais um delírio no meu dia de folga.

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