Lindos olhos para lembrar

29 de janeiro de 2012 § 2 Comentários

Depois daquela conversa demorada, apenas a lembrança daqueles faróis que são seus olhos a me implorar que não me prenda em meus sempre constantes pudores. Falei mais do que queria. Mostrei mais do que podia. Mesmo assim queria ter feito tudo de novo. Queria estar do seu lado. Queria ouvir seus doces conselhos que sempre me devolvem a razão. Queria dormir ouvindo esses conselhos ou mesmo o seu julgamento sobre minha roupa que nunca agrada. Roupa de trabalho que uso também no dia de folga.

Depois daquele dia em que nos vimos, saudades. E nada depois dessa saudade. Vou sentir cada instante sem me mover. Parte de mim deseja, a outra repele. Metade de meus julgamentos te absolve, a outra metade, culpa você. Se te absolvo é porque sou conivente. Se culpo você, é porque sou cúmplice. Desejo você do mesmo modo que desejo respirar. Afasto você, também porque é minha perdição – e eu sei disso. Te achei no mesmo momento em que me perdi.

Vamos nos encontrar um dia desses. Vamos sentar pra tomar uma cerveja. Vamos jogar conversa fora. Falemos, então, de minhas ou suas frustrações. E tenhamos fôlego pra chegar na parte em que tudo isso será piada. Vamor rir. Vamos repetir aquele dia em outros dias e outras noites. Vamos andar um pouco e tomar chuva só pra fumar. Ou então, vamos trocar umas mensagens. Sinto saudades de você, mas me lembro claramente dos seus olhos. Fico lembrando só pra me sentir mais confortado.

Apesar de alguns pesares

20 de dezembro de 2011 § 1 comentário

Mesmo que você me esnobe, eu me lembro de você. Mesmo que seja frio em pleno verão, eu não me canso de ser aquecido pelo seu sorriso. Meus mimos são apenas parte de tudo o que tenho preparado pra quando decidir parar de fugir de mim. Quando decidir me ligar ou mandar mensagem e quando decidir aceitar o meu convite sem usar de nenhuma desculpinha boba. Todas elas nem de longe me enganam, mas de maneira simpática, me acostumei a sorrir pra cada uma delas com um olhar condescendente. Como fazemos com as crianças irritadas por algo bobo. Ou quando elas argumentam de forma vazias e parecemos concordar. Apesar de minha ingenuidade, sinto-me sábio ao sonhar contigo.

Mesmo que seja essa distância tão pequena, é a maior que tenho a percorrer, talvez me pareça sensato aguardar um sim de seus lábios, com sua voz a murmurar aquilo que de mais bonito existe. Nós, dois, juntos. Fazendo planos, metas, conselhos e contemplações. Só pra ficar te olhando. Só pra te abraçar um pouco mais. Apesar do abismo, deve haver uma esperança.

Mesmo que a urgência do seu abraço me torne ainda mais afoito, quero que perceba o quanto persisto pelo simples fato de ser minha única maneira de não sair da sua vista. Mesmo que eu seja atrapalhado, vou traçar planos, cumprir metas e objetivos. E, numa manhã de terça-feira, vou acordar com seus olhos bem na minha frente, esperando meu olhar atento só pra me roubar o primeiro beijo da manhã. Pena que não seja o fim da história de hoje. Apesar de tudo isso, vou tentar algo pra quarta.

A delicadeza de uma resposta

14 de setembro de 2011 § 2 Comentários

Vou pedir simplesmente que responda sim às minhas gentilezas. Que aceite meus gracejos mais gratuitos e que receba meus presentes mais inusitados. Vou pedir, e aguardar um sim como resposta, a cada vez que decidir mais uma vez por te acariciar. Cada uma dessas carícias será exatamente perfeita, na medida em que tiver como resposta a sua aproximação ou arrepio. E ainda será nova, a cada momento em que renovar o meu olhar sobre você com seu jeito exclusivo e único de se arrumar ou de deixar seu cabelo. Ali, me confndindo.

Vai me fazer hipnotizado, a cada vez que me olhar com esse enorme par de olhos que me prende. Com esse lume que guia meu olhar a uma atenção exclusiva da sua existência. Com esse carinho que te faz única, mesmo quando tenta se fazer distante. E pode ser que eu exceda meus limites, meus espaços, e até meus próprios esforços. Mas serei grato a qualquer segundo que dedique às minhas patéticas visões do mundo, ou às minhas cansativas concepções e histórias da realidade recente.

No sim do lanche no microondas, serei patético. No sim do MC Donalds, serei mais que satisfeito. No sim de nossa baladinha, serei ainda mais do que você pode imaginar – serei realizado. E bastará apenas um torpedo para que eu possa fazer-me todo esperança de um dia poder olhar esses seus lumes mais de perto. Na calmaria que um bom lençol branco pode oferecer. Minha delicadeza será a de sempre buscar um travesseiro no chão, de manhã cedo, para que possamos curtir um bom cigarro, um bom filme, ou mesmo um bom papo trivial . Acorda comigo?

A-mi-za-des

10 de setembro de 2011 § Deixe um comentário

Porque nascem de lembranças de infância: amigos. Ou de um comentário bobo na balada. Amigos… Porque passam por apontadores emprestados, ou por grafites que jamais são devolvidos. Bem do lado que menos esperamos aparecem. Aos montes, em duplas, um a um. Amigos. Tem aqueles que construímos com o tempo, e do tempo fazem sua salvação. Velhos amigos. De inimizade ou mesmo de uma paixão, vêm e tomam seu espaço sem pedir. Família escolhida, declarada, preferida. Desejo de dias bons, certeza, nos ruins. A-mi-gos.  

Que correm pra brincar e até brigar. Amigos! Os primeiros a sempre manifestar. Um carinho, um cuidado ou reprimenda. Coisa sentida gratuita e proferida, de sentimento que não pede nada em troca. Seja por afinidade, ou afeto desregrado, são aqueles que preenchem dias cinzas com as cores das flores mais ingênuas. Amigos do peito. Colorem as negras lembranças de tristeza, nos mostrando o azul por detrás de grossas nuvens. E há quem diga que não são prioridade. Mas, à noite, é de quem nos preocupamos.

Como pode existir algo maior? Como pode existir algo mais simples? Amigos? Torcendo pro mesmo time, e até contra, ou apenas ali do lado, sem falar. Para ser o que de mais puro nos conforta. Na mais simples sensação de abraço fácil. Amiguinhos. Não esquecendo de sorrir e chorar junto, seja ele – amigo – de tempos, ou de agora. Sendo sempre o cuidado-amigo sem cobrança e a história com desvelo e com pujança. Na fina camada sempre certa da presença (amiga) que ainda sem palavras fala mais. E há quem diga que pode viver sozinho.

Eu tive que refazer tudo de novo

24 de agosto de 2011 § Deixe um comentário

E um texto que começava com a palavra quatro, de quatro mechas, de alguma novidade, começa com justificativas em seis sentidos. Um mimo que simplesmente se apresentava, por eu ter contado errado, teve que ser totalmente reescrito, repensado, reelaborado. Bom mesmo foi perceber esse olhar inquieto, que quase intima – e prende –, quase surpreso pelo que era ou poderia ser uma surpresa. É inusitada a forma como fico à vontade perto de você. Te olhando curioso. E isso estava já no primeiro texto. É pretexto para acariciar a quem presumo merecer.

Lume verde, olhos que percebo e cedo. Memória que faz sorrir assim. Glória de quem difere pouco seis de quatro, mas vamos lá. Inusitada forma de se pentear, que faz inusitada a minha forma única de admirar você. Ainda que despretensioso, almoçar é um desejo que tenho, apenas pela boa companhia que esse par de carícias verdes traz. Poderia estar falando de outras coisas, mas gosto da palavra seis. Gosto de ser gentil. Gosto de quem gosta de gentileza. Acredito que seu sorriso é presumivelmente uma proeza, e daquelas que apenas o conto de fadas traz. Ou um dia-a-dia como os outros. Não há muita diferença. Há presença e ausência. Prêmio e pena que a realidade traz.

Novidades, constatações, e estamos juntos. De alguma forma ligados, para fazer de qualquer coisa um motivo para uma boa risadinha. Ainda que emaranhado em seis mechas de cabelos, sinto-me livre, solto e agraciado por estar preso em seis cuidados diários. No mesmo número que me fez reescrever essa breve prosa de cuidado malcriado. Um pequeno abraço acanhado de quem sente-se pouco para pedir mais. Um sorriso já me basta. Esteja por perto, pois de perto, é mais fácil olhar você.

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