Acresci Prendendo

27 de março de 2014 § 1 comentário

Em dentro de meu sussurro, o escuro que eu mesmo preferi. Sendo um pouco menos do que desejava, prendi a quem me soltava. De meio a perto, consultei oráculos, bebi latinamente e sofri à moda grega. Pendi ao lado esquerdo. Afora, à parte e por aí, falei coisas sem sentido. Passei horas em meu sofá sentado, e entendi o que passava: Tédio. Mesmo assim, nem assim, fiquei prado.

Com amigos, repreendi o bom comportamento. Consenti, bebendo, em ter as melhores companhias mesmo em dias de café-com-leite. Nada é pra depois! E quase nada é pra já! Desci quatro degraus até minha prórpria sensação de Liberdade, Anhangabaú e Vergueiro. Dentro de uma solidão hebraica, fiz força para não me perder no mesmo buraco em que me encontrei. E nada de pescar juntos algo além de uns belos copos. Há de ter cerveja no final.

Passei por muito, aprendi crescendo. Como quem muda a cada passo, deixei de ser o mesmo, e fui vivendo. E cada sensação de alegria e tristeza cultivou o que hoje chamo de “sêz-atez” e verdade. Mas as decisões que tomaria outras, essas mais importantes e deveras acertadas, serão essas as minhas diretrizes. O meu legado a mostrar o importante: que errando ou parado, ninguém nasceu pra ser frustrado.

Tenhamos a alegria de poder acordar pelo simples fato de estar lá. Acresci, Prendendo; porque Prendendo, Acresci!

Depois 2 (Apocalipse)

14 de setembro de 2011 § Deixe um comentário

E depois de variada a experiência, onde deveria estar evidente a existência, apenas migalhas. Migalhas de carícias, migalhas de cuidados, migalhas mimadas e mimosas que quase justificam a persistência sutil de uma memória triste. Evidenciando a realidade, uma platéia muda, esperançosa. Uma arquibancada de quase pessoas mortas que dançam e riem com o frenesi do desespero que faz mais uma vez a mesma memória fúnebre. Onde o amor morreu, parece também ter morrido a esperança. E acaba nunca sendo tarde para olhar para algum luar que não seja o passado.

Depois de multiplicadas as explicações, ainda mais uma forma, sempre nova, de lembrar de mais um detalhe, de mais uma intimidade que fará correr a lágrima primeira das milhares que a seguirão. Depois de divididas as forças dessa pequena luta, um novo desejo de retorno bate, apenas pra devolver a insanidade com cor de luto travestida em carnaval. Saudade, aqui, também é uma forma de auto-traição. Do alto, o suicida a se lançar ao fundo onde está seu objeto de carícia – a parte miserável dessa história.

No próprio leito de morte está a salvação do apaixonado. E, no túmulo ao lado, por mais que não queira, está sua perdição em outro amor, até que, num momento de êxtase, far-se-á novamente toda essa destemperança a resultar em mais uma dor de amor não mais contida, assim perdida e dissipada. De lembrar, o próprio amor se mata e te maltrata, fazendo com que até lembranças bonitas sejam símbolo de tortura e traição. Após a morte, resta menos de si e nada do outro. Como, então, manter-se vivo num planeta-cemitério?

Depois

13 de setembro de 2011 § Deixe um comentário

Depois de um surto furacão descompensado, por mais que seja difícil, deve ser hora de voltar às rotinas normais e à pouca racionalidade confortável de outrora. Pode até parecer insensato, mas prefiro a insensatez às poucas pérolas criadas de uma pouca verdade e pouca vaidade criadas de momentos medíocres. Temendo não sermedíocre, faço-me presente. Um presente diferente para cada instante, como já era de se esperar de alguém com pouca sorte e bastante persistência.

As noites, que outrora deixaram de ser iguais, passaram a ficar ainda mais diferentes, porque do outro lado da linha, uma voz doce tende a me atender ainda meio rouca, apenas pelo meu breve apelo que nunca cessa de exigir um pouco de atenção. Em cada torpedo, mensagem, e-mail ou texto, farei ter sentido a história mais sem sentido de todas, e poderei recriar a verdade de alguns abraços trocados durante o dia e de alguns diálogos reprimidos por presenças menos importantes que insistem em nos atrapalhar.

Depois de uma tempestade, pode ser que o sol não venha. Mas eu tenho esperança sempre de que ele voltará ainda mais forte, mais bonito e ainda com mais vida. Depois de cair descompensados, cabe a nós mesmos sermos menos sofrimento e maiscarícia aguda, até que a ferida cicatrize, e, juntos, como sempre foi, ou como nunca, possamos nos divertir de histórias tristes de tempos passados. Um carinho do seu melhor amigo, para que você nunca consiga se sentir sozinha. Isso também é amor.

A-mi-za-des

10 de setembro de 2011 § Deixe um comentário

Porque nascem de lembranças de infância: amigos. Ou de um comentário bobo na balada. Amigos… Porque passam por apontadores emprestados, ou por grafites que jamais são devolvidos. Bem do lado que menos esperamos aparecem. Aos montes, em duplas, um a um. Amigos. Tem aqueles que construímos com o tempo, e do tempo fazem sua salvação. Velhos amigos. De inimizade ou mesmo de uma paixão, vêm e tomam seu espaço sem pedir. Família escolhida, declarada, preferida. Desejo de dias bons, certeza, nos ruins. A-mi-gos.  

Que correm pra brincar e até brigar. Amigos! Os primeiros a sempre manifestar. Um carinho, um cuidado ou reprimenda. Coisa sentida gratuita e proferida, de sentimento que não pede nada em troca. Seja por afinidade, ou afeto desregrado, são aqueles que preenchem dias cinzas com as cores das flores mais ingênuas. Amigos do peito. Colorem as negras lembranças de tristeza, nos mostrando o azul por detrás de grossas nuvens. E há quem diga que não são prioridade. Mas, à noite, é de quem nos preocupamos.

Como pode existir algo maior? Como pode existir algo mais simples? Amigos? Torcendo pro mesmo time, e até contra, ou apenas ali do lado, sem falar. Para ser o que de mais puro nos conforta. Na mais simples sensação de abraço fácil. Amiguinhos. Não esquecendo de sorrir e chorar junto, seja ele – amigo – de tempos, ou de agora. Sendo sempre o cuidado-amigo sem cobrança e a história com desvelo e com pujança. Na fina camada sempre certa da presença (amiga) que ainda sem palavras fala mais. E há quem diga que pode viver sozinho.

O que é

10 de setembro de 2011 § Deixe um comentário

Se é mesmo verdade que possamos nos arrepender, deve ser a hora e o momento de render homenagens à deusa Sensatez. Havendo, em qualquer centímetro de mundo algum espaço onde possa te querer sem estar errado, nessa porçãozinha de universo, quero permanecer intacto, até que sua compaixão possa me resgatar. Só mais uma figura de linguagem para demonstrar saudades, desejo e aquelas coisas que só os meus abraços no meio da noite podem fazer. É, estou contente. Devo toda essa alegria a você, suas carícias e seus abraços mais sinceros.

Se tenho mesmo coragem, nesse dia, de ser ainda melhor, tenho também, sensivelmente, a mesma sensação de ser desejado. Como resto, pouco e fraco, sinto-me exatamente no lugar que me deixou, o de adendo, de parte pouca, de  resto. Ademais, apenas mais uma sensação de euforia quando lembro do seu beijo. Apenas mais uma lembrança de alegria, quando me recordo do seu abraço pequeno e muito, do tamanho para me satisfazer. Fico com medo de brincar com as letras, pelo mesmo motivo que me preocupo em não brincar com você.

Em último caso, se é pra te saudar que escrevo tantas coisas, é também para mostrar-te o quanto és a importância de minhas horas, o quanto és motivação de minhas memórias, e o quanto enriqueces meu coração já maltratado pela certeza da distância provocada por uma decisão sua. A noite me chama, e, da rua, tenho a esperança de que apareça esplêndida em cada beco, apenas para meu abraço confortar. E, na rua, tenho a certeza de que não estou tão errado. Saudades do seu abraço magro e carinhoso.

Desmazelado

18 de agosto de 2011 § 1 comentário

Todas as mazelas podem ser aceitáveis, sobretudo quando vindas de você ou acompanhadas de um bom cheddar. Tirar as cebolas do seu lanche, vira apenas uma desculpa pra também dividir gulosamente o seu almoço. Lamber os dedos ainda sujos de queijo viram mais uma forma de carícia minha pra você. E mesmo seu passado enlameado, para mim, parecerá um litoral ensolarado. Quiçá, ignore o meu também.

Nos abraços de todo dia, também o meu mau-jeito de estar sempre por perto, parecendo um polvo com todos os seus braços. No chamar-te, das horas em que foges, minha maneira de ser insanamente descuidado com os demais. Ademais, apenas um formato nada convencional de ser aquele que convence a si mesmo de que não foi nada demais. E todas as carências podem se fazer suportáveis, quando, de você forem fraquezas ou vierem acompanhadas de cigarros. Câncer de um pequeno paciente de seus remédios sempre fortes.

Todos os conselhos, assim, ficam reprováveis, se vierem contra sua presença ou estiverem misturados com ciúmes. Quebrando a cara, posso perseguir a toda hora meu intento sem a menor preocupação com insucessos. Gratuidade também é uma forma de egoísmo. E, com barba mal-feita, roupa velha e cabelos bagunçados, posso levar meus dias e noites como quem tira cebola do cheddar: sem nenhum compromisso definitivo ou interesse, mas extremamente envolvido naquele objetivo pequeno de todo dia.

Quando digo

17 de agosto de 2011 § 1 comentário

Quando digo que te amo, quero que entenda que, independentemente do que você faça, serei eu uma rocha onde possa se apoiar. Independentemente das suas ações repulsivas, te quererei por perto, serei um porto. Quando, mais tarde, te digo que tenho saudades, é porque eu sofro feliz, diariamente a sua ausência. E feliz permaneço porque meu sofrimento vale a pena. Sofrendo caminho, porque minha expiação é a mais pura verdade.

Quando digo que te cuido, é porque não consigo fazer outra coisa além de acariciar você com meu olhar, meus beijos, meus abraços e meu afeto. E todas as outras formas de relação tornam-se menores do que essa, porque nessa intensidade que te dedico, mais uma vez está a verdade que tanto procurei em minha infância. Quando eu digo que já volto, é porque não consigo presumir nenhum movimento que me afaste de você completamente. De idas e voltas vou percebendo que o destino e a origem são, para mim, um mesmo lugar: seu lado.

Quando um dia, quem sabe, disser adeus, será a minha única e a mais verdadeira mentira. Será por um sentimento de fraqueza, de miudeza ou de loucura. Será meu tormento, ainda que tenha eu mesmo escolhido. E, quando me der conta, pode ser que o jardim tenha se acabado, a luz do sol tenha se apagado, ou tenha havido a previsão apocalíptica. Quando, enfim, em outra vida te encontrar, com o olhar direi que, quando digo que te amo, é para que saiba que qualquer sofrimento valeria, só para receber mais uma vez o seu abraço. Até a chaga que causa o seu silêncio me parece suportável.

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