Meio estranhos

30 de novembro de 2011 § 1 comentário

Uma geração de caras meio estranhos. Meio, justamente porque é um apanhado de gente que não é nada plenamente, mas tudo pela metade. Meio ansiosas. Meio dedicadas. Meio objetivas. Mornas. Catalépticas de uma realidade contraditoriamente frenética e esquizofrênica. Pode ser justamente essa a salvação de meio seres que levam uma quase vida. Meia hora de almoço. Trânsito meio complicado. Situação meio arranjada. Transas meio desesperadas.

De sensações meio estranhas, nascem, obviamente, relações meio firmes. E meio sem jeito, assim, numa vida abrasileirada, vejo gente meio perdida. Numa sensação de quase liberdade. Um arremedo de vida. Quase uma carreira e quase histórias de amor, que viram quadrinhos de sacanagem, e, pasme, nem essa completa e definitiva. Até putaria é pela metade. Meio calor e meio frio. Clima meio paulista a refletir sentimentos meio humanos. Meio revoltados com as metades discutindo quase sempre o mesmo quinhão de opinião indecisa.

Meio racistas, meio tolerantes. Meio preconceituosos e quase um pouco cristãos, budistas e macumbeiros de tão pela metade religiosos de qualquer fé que possa pela metade ser agarrada. Mas não definitivamente ser. Não acordar totalmente e mesmo assim levar o dia. Não falar muito e nem por inteiro. Nunca, nunca, ser tudo aquilo que programou ou fazer aquilo que projetou. Sonhos pela metade que, num surto revoltado de falta, podem ser meio descritos em três parágrafos. Pode ser que a forma tenha sido encontrada, mas ainda não é plenamente satisfatória.

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Uma dose de vício

29 de novembro de 2011 § 1 comentário

Passaria uma noite conversando. Ou talvez mais. E até que o dia me lembrasse de outras coisas, ficaria ali parado. Passaria uma vida num mundo de arsenio, com odor de alho que sua presença vai enfrentar com cheiro doce. Tendo coisas de maluco, criaria planos, panos, caricaturas, só pra ilustrar esse quadrinho de tempo em que uma presença e uma só palavra podem manter-me descansado mesmo depois de um dia mais que cansativo.

Radioativa, vem brilhar. Sai de onde o Sol te esconde. Na penumbra também pode haver contentamento. Em cinza de Terra-Paulis. Em tempo e dose de soninho, será possível até sonhar com amanhãs melhores, com manhãs ainda mais felizes e divertidas, e com apresentações inusitadas de causar impacto. Flor, Estrela, Brilho, elementos de uma atmosfera em que dormir pode parecer menor que partilhar essas palavras. Insano, mundano, ideal e nada profano. Um manifestador de gentilezas a afagar um carinho que caminha pela terra e vai para onde quer.

Em ano, ou mais, ou menos. Em momento que o tempo já não é mais diferença, a doçura vem ganhar de seus hábitos pouco matutinos, apenas para que, em noturna conversa de Novembro, pareça o Sol estar ao alcance desta mão. Seja pelas teclas, que separam e unem, seja pela tela, que aproxima e divide. Um mosaico formado por sensações de uma tóxica e gentil presença viciante. Uma dose de sorriso e vício, por favor!

Algo mais²

29 de novembro de 2011 § Deixe um comentário

Um dia antes, comer bem, jogar video-game, dorimir, ver filme ruim e dormir de novo. Fato: nada de jornal, atualidades, livros ou revistas. Quatro horas antes, acordar, tomar café, fumar um cigarrinho e tomar um banho demorado. Se possível, quase uma hora. Pegar a roupa mais confortável. Almoçar, mesmo que seja cedo demais para isso. Tomar um refri, acender outro cigarro e se dirigir ao lugar marcado.

Chegar uma hora antes da abertura dos portões. Pão de queijo, café, água com gás, outra coca cola e outro cigarro. Celular desligado com a bateria fora. Nada e nem ninguem para atrapalhar. Falar sozinho ou não falar. Deixando os outros com seus outros. Ficar ali, sentado na calçada enquanto a fila aguarda ansiosa para ser uma boiada estourando em direção ao matadouro. Oportunidade única de ser feliz ou não. Entrar sem falar nada, no horário marcado. Marcar o tempo para não mais olhar para ele.

Banheiro, igual a todo mundo e igual a todo lugar. Entrar, fazer ginástica laboral, começar e, quatro horas e vinte depois, terminar com a tranquilidade de ter feito o melhor de si – ainda que não seja o melhor de todos. Sair. Surtar. Ter fome, sede e vontade de ir ao banheiro. Comer um Big Mac, voltar tomando coca cola. Acender um cigarrinho. Chegar em casa, e ficar desesperado com um resultado que só chega vinte dias depois. Vestibular. Acreditar. Algo entre derreter parafina de vela em dia sem luz e twittar quando se está deprimido. Coisas de adolescentes, jovens, adultos e outros que, assim como esse escrevedor, ainda querem algo mais.

Planos

27 de novembro de 2011 § 1 comentário

Numa sexta feira qualquer, você vai pegar o avião. Sair do Rio. Sem mais nem porque, vai pousar na palma da mão de Terra-Paulis. Vai se divertir, e sorrir, e me acompanhar, com ou sem autorização. Assim, como quem nada quer, vai provocar sorrisos apenas com o seu olhar, com a sua precisão. Do jeito que só você, mesmo à distância, mostra como é fácil brilhar assim, gentil – como quem tem um sol no coração.

Num sábado, depois da mesma sexta, poderemos curtir um parque, no Ibira, Villa Lobos, ou da Juventude – em Zona Norte. Poderemos curtir um samba paulista, assim, meio choroso, lacrimoso, igualmente divertido, com tudo o que você merece e alude. Terminando o Samba, a prearação para mais uma noite que não tem fim: balada, bar de MPB, e a casa de amigos para findar a noite, coisas que aqui ou em qualquer lugar podem ser iguais. De diferente, sua presença, que eu insisto em suspirar aqui no aguardo.

Em um domingo qualquer, depois desses dois dias, eu recomendo um passeio pelos monumentos, um pique-nique, no Horto ou em Guararema, ou um sanduíche de mortadela no Mercadão. Ou tudo isso. Uma cerveja, ou uma coca, o que preferir, e as coisas mais simples que dois amigos podem fazer. Coisinhas para preencher o terceiro dia e concluir com chave de ouro o quarto dia em uma despedida gentil, carinhosa, e de um jeito que apenas eu e você sabemos ter. Surto de carência pode até ser bom. Mesmo que seja só para você olhar pra mim, e depois voltar pra casa. Quem mal tem fazer alguns planos?

Mesmo que você não saiba

18 de novembro de 2011 § Deixe um comentário

Num dia de novembro me verei encantando uma bela e sorridente presença. Numa noite desse mesmo novembro enfeitarei seu olhar com as mais belas memórias que possam ser lembradas daqui até a eternidade – ou o próximo final de semana. Abraços, carícias, um monte de novidades inesperadas e uma força irrepreensível pra unir o que está separado.

Um segundo de novidade apenas pra pensar o que quer que seja e ter todas as expectativas caídas por terra. Horas de repetições para chegar ao termo bom de ser felicidade junto. De suar junto. De ter os mesmos sons. De fazer os mesmos acordes. Em ato de mesma peça e único espetáculo a ser repetido por vezes, assim como repetimos nossos encontros por acaso durante mais um dia.

Um bloco de sensações, saudades, presentes, experiências, que nunca, nunca cessarão de nos tornar ainda mais bobos. Ainda mais insanos. Ainda mais irracionais. Da mesma forma que minha cabeça vira quando te vê se aproximando, minha mente se transforma quando podemos trocar duas palavras. Saudade é o que me faz escrever sobre você, mesmo que você não saiba.

Se vou

18 de novembro de 2011 § Deixe um comentário

Se eu vou falar de amizade? É bem provável que sim! Tê-las então e em tão apreciável status de magnitude é apenas a sensação explicável de tal situação de vida. Cada um que, à sua maneira me permite ser eu mesmo, faz de si um novo, louco e sintético futuro de ali para diante. E uma longa estrada para trás ou para frente. A causa que insisto em comemorar com efeitos hepáticos. Além de simpáticas piadas ruins. Aquém do que desejo mesmo oferecer a tão boas pessoas.

Se vou constatar alguma coisa? Evidentemente que não! Apenas sou levado em meu barquinho por mares onde posso descobrir mundos novos, coisas novas, novas visões e ainda mais que novas sensações de liberdade. Essas pequenas liberdades fazem com que meus dedos não parem nunca de escrever, afinal, escrevendo, posso eternizar pessoas tão diversas, num mundo tão meu,tão próprio e tão sintetizado.

Se vou procurar explicações? Algumas, talvez… mas apenas para continuar sendo contraditório mais no sentido e no coração do que no formato sempre mesmo e sempre monótono. Algumas posições podem até se inverter, mas, à medida que vou mergulhando em sensações tão simples, vou aprofundando um mistério tão antigo quanto as primeiras considerações sobre a vida. Considero verdade que amigos façam de nossos dias cada vez melhores, mesmo quando erram.

Onde estou?

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