Mal Star de tocar um sol com a mão

25 de outubro de 2011 § 1 comentário

Estrelas são para ser olhadas. Ao tentar tocá-las com a mão, normalmente nos queimamos. Mal Star de um astronauta desajeitado. Com pouca simetria de ideias e muita esquizofrenia eloquente, uma paixão inevitável em poucos instantes transforma-se em dor. E a dor vai crescendo. O mal se aprofundando, apenas porque astronautas desajeitados não aprenderam a pedir licença. E de vôo em vôo, o céu vai ficando pequenininho. A visão vai se esvaindo. E o brilho da estrela só se apresenta na lembrança.

Com poucas cores assim de perto, as explosões vão sendo cada vez mais inevitáveis. Com muitas mechas de saudade, a antipatia vem crescendo como solidariedade. Aquela que se tem por quem é maior. A mesma que é sentida pelo mendigo quando encontra um trabalhador endividado. E naves serão destruídas apenas pelo insano sonho do maldito voador. E as palavras, ainda que não muitas, serão impressões que deveriam ser guardadas. É a turnê de um sofrimento-alegre! É o trio elétrico da fogueira de Israel.

O sonho do astronauta ser escolhido, para ser real, também é a sua morte. A distância, a saudade e a ausência, enfim, serão sempre sua sorte. Para facilitar ainda mais essa mania, para se lembrar ainda mais dessa esperança, existe, em terra, o que se chama noite. Com devoção, podendo admirar lindas estrelas, o sábio mais que humano tem a certeza de que nunca terá o seu calor em plenitude. O tempo e a distância fazem de qualquer astronauta um pensador. A saudade, sentimento sem definição, passa a ser a lógica e o prazer dessa insana conquista. Um minuto de cegueira.

Eu cuido de você

17 de outubro de 2011 § Deixe um comentário

Pequenas historinhas e coisas bobas de criança apenas pra provocar sorriso. Bebetazinha linda pra gostar de sorriso, carinho e mimos. Flor que fica aguardando borboletas e beija-flores, que passeiam à sua volta só pra sentir o seu perfume. Gosto do seu sorriso de perfil. Gosto de quando manda mensagens. Gosto de quando fala comigo no meio do dia. Gosto de quando apenas aparece com seu brilho nos olhos que pouco posso ver.

Durante uma montanha de coisas que me identificam com outros burocratas, um momento pra parar e provocar certo rubor de flor acanhada, e eu me distancio dos demais por ter uma florzinha. E qualquer motivo pra te chamar bebetazinha. Seja por saber quem você é há muito tempo, seja por eu ter alguns anos a mais que a florzinha. Passeios e arco-íris envolvem o desejo, os sentidos e ajudam a matar saudades. Ainda que a distância esteja determinada, seu perfume há de avançar por toda a parte, provocando meu ruminar, meu degustar e meu desejo.

Pequenina, linda, sorridente. Não posso me esquecer a beleza dessa florzinha, assim como também não posso deixar de ter pedir: sorri pra mim! Vou ficar olhando, como um bobo, e puxando assuntos de onde nem imaginava. Vou procurar um jardim bom, e cultivar essa florzinha como se fosse minha rainha. Sendo assim, a princesinha, haverá ainda mais beleza, mais música e mais carícias pra fazer você lembrar: eu cuido de você bebetazinha!

Eu e minha mensagem

14 de outubro de 2011 § Deixe um comentário

Minha maneira de interpretar o que você falou. Um braço que não torce; e a memória de nosso último encontro só pra me confundir um pouco mais. Por alguns instantes chateação, tristeza e mágoa. Por todo o resto de tempo, alegria, carinho e você aqui nos meus braços. E muita gente pra enxergar como um jogo de xadrez. Prefiro mesmo é o envolvimento dos jogadores de um time que está perdendo. Vai lá, vai lá, vai lá! E, de coração, mais uma vez eu aqui surtando no meu quarto com o ouvido de um camarada pra me dar a força que eu preferiria dispensar.

Meu maldito incômodo de pensar ter feito a coisa errada, e de novo. As rédeas fugindo de minhas mãos. Mas, a cada vez, seu carinho me lembrando de como ser de verdade e sincero. Nem sempre sinceridade é bom. Nem sempre ter amigos pra falar faz bem. Que tal, então, fazer uma história só a dois? De madrugada, talvez, as ideias sejam mais claras. Depois de um rebosteio pra enlamear minha cabeça. Mas vou crucificar a cada amigo com minha mente cabeçuda.

A felicidade é a gente que escolhe. Escolhi desabafos deveras temerários. E o suor, a imagem, a intimidade e muitas coisas mais pra fazer mais essa história. De tanto leva e traz, encaro minha vontade de que o tempo me traga você. Minha certeza de que os dias me trarão o clarão do seu sorriso. Num dia de trevas, a clareza de que não entendi sua mensagem do mesmo jeito que você não entendeu a minha. Vamos conversar e ficar bem? Eu, do fundo do meu coração, quero que seja assim como o seu sorriso de manhã ao acordar.

Arremedos de liberdade

5 de outubro de 2011 § Deixe um comentário

Sorrir quando ninguém está olhando. Sorrir sem qualquer motivo, sem medo, sem aparência e sem pudor. Morrer de rir daquela piada ridícula do almoço de ontem. Chorar sem qualquer vergonha. Desesperar-se por qualquer miudeza momentânea e desesperadora quanto o fim do pote de sorvete ou do cigarro. Arremedos de liberdade que insistimos em cultivar. Na escrita, pelo menos, a possibiidade de alguma criação. Ainda que em ligação com os dias e as noites, a centelha divina parece agir na gênese de linhas novas.

A tênue diferença entre agir primeiro ou reagir. A leve e benfazeja sensação de julgar, nem que seja por uma vez, a tornar o humano demasiadamente humano. Livre por desejo, preso por definição e ironia. Um charco de um e outro a lambuzar cada centímetro de vida. Cada vapor barato pra poder sentir sozinho o coração desavisado de mais uma linda donzela. Podendo observar seus artelhos, pra não falar em outras partes. Liberdade de fazer um comentário bem sacana. Amigos para dividir algumas liberdades.

Um desejo de unir-se de fato para destruir qualquer sentido da palavra livre-arbítrio. Submetendo opiniões, decisões, planos, metas, e até carícias. De modo a ser servil, de modo a ser escravo. O único ser livre que prefere escravidão é o hommo sapiens. A Chita bem o sabia, e tratou de escravizar o Tarzan. Apenas uma anedota. Uma liberdadezinha antes de voltar aos meus afazeres habituais. Um quase humor sarcástico em meio a uma prosa irônica. Efeitos da insônia. Até nisso sinto-me meio aprisionado (e escrevo como se ninguém pudesse ler).

Esfera

5 de outubro de 2011 § Deixe um comentário

Redondo. Relacionando matemática, física e simbolismo numa existência quase perene de quem já deixou o twitter de lado. Talvez pelo fato de não poder postar o tempo todo, ou de achar irrelevante o meu prato do almoço, situo cada coisa no seu devido lugar. Para os íntimos, as intimidades, para o público, as publicações. Deveras descoladas uma da outra ou apenas uma adaptação ao que a última vem significar. Vida, jogo, tempo, cores, demora, espera, temores e fome. Alguns exames médicos para constatar: estresse virtual.

Quadrado? Apenas por ser mais dedicado ao simples que ao composto? Acredito, contraditoriamente haver no simples muitos compostos reunidos: sensações, ambições, lembranças, constatações e até metamorfose de algumas partes de mim que deveriam ter ficado pelo caminho e não ficaram. Agora parte do que sou. Todo igual e renovado, passo a fazer de minhas madrugadas insones, momentos de reflexão e meditação de quem consegue mais que ser gente, ser pessoa. Um total interesse de receber um abraço único de quem me completa, ou diversos abraços de quem me anima. Cada coisa no seu tempo.

Com todos os lados voltados para fora, uma esfera não pode avaliar seu interior. Porém sentí-lo, isso sim, já deve ser boa parte do caminho. Assim como quando, apesar das complicações de uma conversa longa, um abraço surge no meio do nada. Calados, ambos põe-se a chorar. Algumas vezes até um arremedo de sorriso fica comovente. Corações se tocam. Vergonhoso é ser uma esfera sem abraços. Para evitar o vazio,rodeia-se de amigos, preenchendo cada instante de algo mais que de si mesmo. Preenchendo de carinho, o que outrora fora apenas ar. Atmosfera carinhosa deveria ser um estilo de vida. Estio de violência. Estímulo de boa ação.

Sensibilidade contida

5 de outubro de 2011 § Deixe um comentário

Um minuto de lembrança em meio a horas de saudades e de espera. Um instante de prazer e uma única constatação a bater vinte e quatro horas por dia: é você a minha menininha! Declarando ou não, a cada instante descubro um novo jeito de olhar você, de desejar seus carinhos, e de planejar algum futuro. Relação que se define justamente pela contingência em tê-la aqui por perto. E o distante se faz pouco, e cada muro se rebaixa. Acima e para os lados, apenas a linda menina que ilumina dias, noites e até madrugadas insones.

Aquelas coisas de dia-a-dia ficam ainda menos importantes quando ouço o doce som da sua voz a me contar alguma coisa de sua rotina, ou mesmo ao me perguntar o que vou persistir em calar pra não ser chato. Como num charco, umedeço dos pés à cabeça, na impressão de que meu sol venha me secar. Fico todo bagunçado, igual criança, para que minha tutora venha me arrumar. Num daqueles acessos-surto de vontade de você, vou inquietar até poder trazer a mais gentil sensação à sua pele macia e branca.

O brilho dos seus olhos vai me fazer lembrar das estrelas que admiro à noite, pela janela. Sua boca pequena vai me lembrar que existe doçura mesmo nos dias mais difíceis. E o som que sai de seus lábios, me remete a ouvir música, apenas pra recordar a sensação de prazer e carinho que provoca quando fala. De mãos dadas, temos um mundo à nossa frente. Abraçados, um universo para conquistar. Lembrando um do outro, podemos qualquer coisa, ainda que sejam palavras sensíveis de alguém encantado com você. E tudo isso começou cantando junto. Canta comigo de novo?

Os livros não são sinceros

5 de outubro de 2011 § Deixe um comentário

Continuo lendo produções de espíritos nobres. Permaneço degustando literatura marginal. A fim de elevar meu espírito até uma divindade, por definição, desconhecida, pulo de um pra outro livro, não sabendo bem qual será, de fato, o que me ajuda. Ou seria pelo fato de desejar me afastar de qualquer divindade e de qualquer nobreza que me faço assim diferenciado pelo péssimo gosto unido ao erudito e clássico de meus costumes acadêmicos? E as mentiras de um lado e outro me fazem pender para esse ou aquele método, para essa ou aquela visão.

Tendo a impressão de algumas verdades, continuo a ler e refletir mentiras eloquentes ou verdades mal-contadas. Palavra de Deus ou de algum homem presunçoso. Palavras de um ou de muitos manifestadas por igualmente um ou mais homens. Vontade de sofrer de antemão pelo não-lido. Expiação de quem não consegue, definitivamente um espaço para suas publicações quotidianas. Mais que uma reação. Mais um primeiro passo em direção à inverdade bendita e à incerteza lógica.

Quando, definitivamente participante do meio, quem sabe, o meu gosto se refine ou se perverta, meu estilo se consolide ou se perca, minha memória me ajude ou seja embuste. De modo que, verdadeiramente cego, enxergarei mais do que as contradições de minha nobre língua portuguesa ou meu estilo caraíba. Numa tarde de verão, poderei, mofando numa sala fria cheirando a traças, ser um pouco imparcial sobre qualquer assunto. Para hoje, me resta a alegria de poder constatar: mentiras escritas são bem mais interessantes e eloquentes do que palestras oficiais. Uma pena não poder fazer sentido. Aonde estáo meu substrato livre?

Onde estou?

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