Percepções

26 de setembro de 2011 § 1 comentário

Amizades são motores sólidos e bases confortáveis de onde se deve partir. Família é, como Deus, um fundamento que justifica uma série de posturas e de existências, de modo a fazer de criminosos, vítimas; e de pecadores santos. Digamos que, desde que a lei da causalidade é tida como verdade, não há culpa, dolo ou mesmo livre-harbítrio. E concebemos a realidade da maneira mais patética imaginada, ou da mais recriminadora e paterna já conhecida. Algumas vezes até com a imaginação de estar fazendo algo novo. Como Deus não é justificativa para qualquer crime, a família não me tira a culpa. E a verdade, nesse trecho, parece até contraditória.

Relações são trocas em que ceder é inevitável e barato. O mais difícil é reconhecer a necessidade de fazer a melhor cessão. Ou seria a impossibilidade de fazer esse julgamento? De qualquer forma, percebo que é de poucas ou excessivas cessões que as relações terminam em um prolongado embuste de felicidade na imagem burguesa de casal ou de convívio social. Reconheço como verdade, como deveria ser, mais as palavras da minha mãe, depois de passado o calor da discordância natural de minha mente, do que as suaves palavras de meus amigos. Essa segunda me conforta mais, a primeira, me educa.

E, apesar de ser construído de uma série de causalidades, tenho em mim uma centelha de razão que me faz diferente de um sapo ou um cachorro mal-tratado. Dessa forma, se eu cometer algum crime, esteja de antemão declarado que fui eu – ainda que não em pleno uso das minhas faculdades mentais – porque, enquanto pessoa, prefiro a dignidade de ter um ato reconhecido como crime – e meu – do que a patética posição de vítima da sociedade, de uma mente tosca, ou de uma educação ruim. Percebo mais do que gostaria, que, ainda que faça algo ruim, tenho a necessidade e o egoismo de reconhecer como meu. Assim, me orgulhando dos meus vícios, da mesma maneira que me orgulho de provocar sorrisos sinceros. Percebo aí muita verdade.

Enamorados

26 de setembro de 2011 § 1 comentário

O que deve ser tem força. Assim como nossas mão unidas depois de um bom filme, ou nosso beijo carinhoso no aproveitamento da escuridão da sala. Devem ser. Planos, cuidados, abraços, sentidos. E o nosso sentido, junto com o nosso sentimento devem ser. Mais uma vez, entregues, temos a complacência de velhos bem vividos e a energia de jovens sonhadores. Tudo junto e misturado apenas pra ser uma história de verdade. A nossa.

Maior do que os machucados, as dores, ou mesmo nossos medos, o nosso desejo de que seja bom. Já é. Tem força, porque é assim que deve ser. É justo que bocas que se desejam se toquem, se misturem. É claro e evidente que o dever se sobrepuja sobre todas as outras probabilidades, construindo linhas vivas e gentis de um novo e carinhoso casal que se une em pleno domingo à noite, e termina por fazer planos mais que longos e inesperados. Jogar-se, assim, é inevitável, como é inevitável, igualmente, te olhar durante um breve passeio pelas ruas do bairro, ou um leve passeio gentil de minhas mãos em sua silhueta.

Desavergonhadamente decididos a ser em público. Desprezando auditorias e especulações. Promovendo carícias públicas numa novidade excêntrica de casal faminto. De ter fome que a comida se faz boa. De ter sede que a água se torna a melhor bebida de que se conhece. De desejarmos um ao outro, nos fazemos a melhor opção, a maior riqueza, e o cuidado necessário do outro. Parte dos meus dias e das minhas horas, agora, são apenas a verdade de estar com você, te ligar, ou simplesmente planejar nosso próximo programa de casal.

Considerações

23 de setembro de 2011 § 2 Comentários

Existem momentos de falar de coisas importantes. Sou mais inclinado a coisas pequenas ou aparentemente mais lúgubres. É de abraços senis que boas histórias são criadas, e de uma moral porca que a maioria dos rebanhos é mantida. É muito mais simples, de fato, uma mortadela falar do que duas pessoas se entenderem. Na verdade, tenho sempre a impressão de que qualquer revolta, do mesmo modo que qualquer associação automática deve ser muito mais um grito interno do que uma luta contra algo externo.

E, de refazer aquilo que tem importância, o pequeno se faz grande, e as revoluções não passam de mero embuste com o intuito de desacompanhar o interior, esvaziando a imagem severa que antes se fez crítica. Ler poesia. Ler gibi. Ler literatura marginal. Falar de futebol. Falar de mulher bonita. Falar o que não deve depois da terceira cerveja. Ser, por um instante aquilo que se quer. Merecer, pelo menos por um momento, o título de homem. Deixar de ser um morto em meio ao cemitério violado. Deixar de ser adubo para ser fruto.

Existem momentos que são para ouvir a relevância alheia. Isso é de presumir que um humano faça bem. Mas a memória, por vezes deveras seletiva, me faz ainda mais vazio de esquesitices agudas e precárias de outrem, me confirmando nas minhas próprias. E um fim pra fazer valer algumas linhas. Algumas constatações morais, ou uma quantidade não pequena de sonhos em pílulas de quase felicidades literárias. Hora de beber uma bebida quente, levando em consideração mais uma noite fria.

Um quase e um talvez

22 de setembro de 2011 § 2 Comentários

Quase não cumpri minha promessa. Quase me faltaram palavras para descrever sua linda imagem com um sorvete na mão, dentro de um elevador, à minha frente. E um olhar irônico me fez te achar ainda mais interessante. Por pouco não passou despercebida sua gentil presença de sorriso sempre fácil. Talvez você não goste do que eu faço, mesmo assim, quero que saiba que te vi como descrevo: linda. Até cervejas e bares que ainda não houveram para mim, serão mais que motivos bons para descrever você.

Decerto, o que descrevo não há de ser qualquer presença, mas a presença quase musical de alguém que merece os mimos mais gentis e as palavras mais doces. Você. Assim, cerveja, papo bom, e mais um sorriso fácil, tudo isso vem apenas comprovar o que eu te digo.  Vou ficar feliz ao receber um e-mail de trabalho, – seu – um telefonema (também seu) com qualquer solicitação de última hora, ou até a cobrança – desde que venha de seus lábios – de qualquer coisa que deveria ter feito e não fiz. Serei bem feliz se for assim, e serei mesmo. Mas importa é que verei você de novo. Seja no meio da tarde, seja em qualquer outro dia pela manhã ou madrugada. Seja premeditado ou por acaso. Seja no Sol à pino ou no ocaso.

Alguma coisa me diz que és bem sincera. Mesmo não tendo ainda como comprovar, imagino – e isso eu faço muito bem – todo dia suas sinceridades meio que machucando ou ferindo por um bom motivo. Ainda vou te convidar para tomar um sorvete, pra que você pareça mais menina; uma cerveja, para que pareça mais próxima; ou um café, para que fique mais íntima. Conhecida após vinte e cinco outonos, o que vai fazer com suas vinte e três primaveras, mesmo? Quase não te conhecendo, te conheço, e fico curioso pelo que eu ainda não vi. Talvez, o nome disso seja pretensão.

Abram-se as cortinas!

20 de setembro de 2011 § 2 Comentários

Eu prefiro a simplicidade de palcos menores, com menos metros quadrados pra fazer peripécias. Prefiro a exclusividade de uma plateia de uma só. Tenho mais queda por palcos com cortina, mas persianas que podem ser fechadas no meio do espetáculo sem nenhum prejuízo da condução do nobre ato.  Que a luz, meia e fraca, ou penumbra, ou forte, ou neon, seja do jeito que pedir a imaginação dos produtores, e possa realizar cada um de seus sonhos na divagação de um texto improvisado, mesmo que sem palavra alguma.

Prefiro a sutileza de um ingresso incopiável, sem direito a meia entrada, e com a perfeita introdução de minha moderna dança em comunhão com seu sorriso. Prefiro o aplauso contido de minha exclusiva expectadora às massas e multidões desvairadas e frenéticas suando de desejo pelo que não conhecem. Prefiro a boca única de minha assistente de palco, às dançarinas de programa de auditório ou modelos milionárias.

Tenho, definitivamente atração por uma arte que só pode ser totalmente contemplada a dois, entre mim e você, ainda que por algum tempo você corra. E, mesmo que seja o palco uma cama, e a plateia apenas minha doce senhora de uma noite só, um quarto de motel poderá ser lugar de muita arte. Prefiro a exclusividade de uma peça de ato único a dois, do que uma temporada no municipal, mas, é bem verdade, uma coxia também serve.

Sem querer, não por acaso

20 de setembro de 2011 § 1 comentário

Foi sem querer que, pela primeira vez, olhei seus olhos. Sem querer, inclusive, nos falamos e foi bom. Sem querer, por vezes, nos vimos, e, te olhando como quem nada quer, me encantei. Sem querer te chamei pra sair, e traí a mim mesmo, quando, depois de um não, insisti até ouvir seu sim. Sem querer me envolvi na história mais sem sentido que poderia ter acontecido. E me vi, sem nenhuma motivação aparente com saudades de você.

Lutei contra essa vontade. E relutei em te aceitar definitivamente em meus braços. Por força do calor do seu abraço, sem que fosse minha vontade, me perdi. Perdido em nossas horas, pude perceber uma decisão de todo dia, uma intenção de meus cuidados e o furor que só um carinho seu e único traz, mas minha razão dizia outra coisa. Contra a minha vontade, fui arrastado até a porta da sua casa, até o sofá da sua mãe. Até uma apresentação que preferia que tivesse sido mais tarde. Até uma condição de estar juntos que, mesmo que eu não queira, é a minha atual realidade.

Em minha já pouca liberdade, também não quis me expor, mas novamente me traí, e fui jogado à linda confusão de seus olhos mais gentis. Á perfeita perversão de sua realidade, faço bons planos. E, quando sozinho em casa, mesmo que minha vontade seja outra, fico pensando em qual será o seu vestido de amanhã, sonhando com o dia em que, novamente, serei eu o motivo de toda a sua produção. Sem querer, não por acaso, fiz de você minha menina.

Meu sal, meu Sol e meu anzol

18 de setembro de 2011 § 3 Comentários

Cantando juntos tivemos a certeza da aproximação, e ficamos juntos de surpresa. Com seu abraço nos meus braços, a certeza meio incerta do carinho e da alegria de nossa condição. Em sete meses que estamos nos conhecendo, temos os mimos que nos unem, ainda que muitas coisas tenham teimado em nos afastar. Uma clara opção feita há um tempo, que justifica cada uma das carícias que nos traz o seu sorriso róseo e o seu beijo mais quente. E quente mesmo é o cuidado que nos faz assim, bonitos, um casal de fazer inveja. E ficamos juntos mais de uma vez, por opção.

Meu tempero de domingo, meu Sol de manhã cedo. Minha carícia que procuro e meu anzol a me prender. A vista, daqui do mundo das pessoas ocupadas, é a linda menina que canta alto, a brilhar como a minha luz, e me faz Girassol a te buscar. Quantas e quantas vezes eu reluto em declarar minhas saudades. Talvez tenha sido apenas medo da sua sutil vaidade, que pode me fazer ainda mais bobo. Cuidado, carícia, dias e noites pra fazerem, de nós dois, o melhor de um casal assim, assim, impecável de decisões precárias.

E mais uma manhã pra te acordar com um sorriso silencioso, ou mesmo com carícias cuidadosas de quem constrói uma história a dois. Eu daqui, você de lá. E um desejo intenso de buscá-la pra escrever minhas melhores linhas, e contar minhas melhores histórias. A certeza que falta nessas decisões é a mesma vontade de optar todos os dias pelo seu abraço quente, pelas suas histórias de antes e pelos só nossos momentos de ser feliz. Talvez por pretensão eu fale do futuro, mas haveria jeito melhor de declarar o meu furor desse presente que recebi há sete meses? A possibilidade de ficarmos juntos por decisão. Fisgado por pura opção e ironia.

Onde estou?

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