Tautologia paterna

14 de agosto de 2011 § Deixe um comentário

Abstrata permissão de negar. Devolutiva do momento ao eterno. Na sensação de filho, presumo o que seja a redenção de pai. E observo, admiro, concordo, discordo, discuto e respiro. De alguma forma é só pela sua aprovação. Pela comprovação de que sou para você um presente e orgulho. Chegue tarde, saia cedo. Chegue cedo, saia tarde. Vou arrumar um motivo para cada contradição ou erro ser admirável em você. O criador tem autoridade pela criatura. Ainda que uma autoridade de afeto e sim. Fica mais fácil quando se é benevolente.

Na presença maiúscula, os gestos ficam um pouco mais solenes. As horas vão e vem como ambulâncias com sirenes, a tocar e gritar que o tempo passa. E que o pai também pode passar. Passando, pode deixar mais que saudades. E o meu medo é ter remorso. É o medo de me arrepender de alguma palavra dita ou algum “eu te amo” que ficou calado e preso. Preocupado, tenho espinhas, fumo cigarros, café e fico bobo. Mais indefeso e entregue aos cuidados de pai. Meu pai é um bom pai. Ser pai é ser bom. Acredito na manifestação tautológica por não aparecer tão evidente.

Demasiadamente humano, o meu pai me ensinou a viver as coisas simples, a aceitar as coisas difíceis, e a nunca discriminar as pessoas mesmo que eu discorde delas. Demasiadamente divino, me educou para ser mais do que a expectativa pede. Talvez pelo excesso de confiança depositado em mim, eu ainda não tenha chegado lá. E, vou decepcionar mesmo ainda algumas vezes, pois também sou demasiado humano. E errar só não faz parte de mim quando perguntam sobre o meu pai: acerto a voz, a confiança e a descrição de um pai que é bom; e que erra só pra ser um pai perfeito. Não há como não admirá-lo! Porque iria eu contradizer?

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