A competência do olhar

31 de julho de 2011 § Deixe um comentário

Na presença de quem me interessa, fico até mais bonito. Na ausência, sinto-me meio parte de mim, meio triste, meio apenas, não inteiro. Uso de cinco sentidos para as pessoas comuns, mas uso muito mais de vez em quando. A competência do sentido é aumentar a experiência. E, no toque de mãos, posso perceber tensão, nervosismo ou mesmo calor ou frio. Sem essa de que sou incopetente. Meus sentidos me competem.

Com mochila e gravata, intervenho junto ao dia dos transeuntes. Entrevou até outra presença, e, falando, faço participar. As competências da fala são a divisão e a multiplicação. Informações que se dissipam, se repartem, se partilham e se projetam geometricamente para mais ou para menos. Até que um dia possamos falar de coisas ainda não faladas. E, do ouvir, a competência é a participação. Chegamos aos planetas vizinhos, assim, ouvindo histórias.

Mas, sem dúvida, a competência do olhar é a beleza, a sua beleza que sempre me fez te olhar. Na frente e por perto. Na sua frente, posso desenhar cada detalhe que percebo, e crio ainda mais detalhes do que a maioria poderia perceber. É hora de fazer verdades. E sua imagem é uma verdade da qual eu participo. Seja no calor, na chuva ou na noite, longes um do outro, uso a competência da memória, recriando o que captou e produziu minha visão. Competente maneira de ter saudades que não machucam tanto. Venha do jeito que vier. A competência do carinho será sempre a defesa das nossas sensações.

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Relever

31 de julho de 2011 § Deixe um comentário

De tanto que escrevi, me acostumei às palavras de sempre. De tanto oferecer o mesmo carinho, me aprimorei a mimar um só e mesmo sorriso de sempre. A saudade da liberdade que sufoca, também é a memória da presença que liberta. Ver é mais do que estar. É muito mais do que perceber, então.

De tanto ler o que já foi escrito por mim ou por outrem, me habituei ao dinamismo que a palavra pode ter. De tanto ter palavras, passei a discutir razões também, mas apenas para me fazer presente. Para que não me vísseis tão distante. Ler é mais que preceder, é participar seu agora com o passado de outrem. Futuro é mera concepção linguística. Vontade é quase o oposto de liberdade.

Reler demonstra interesse, assimilação. E abraços assim encontram os mesmos braços que antes. Não há mais de amor no que dizemos do que quando nos relemos e ou nos olhamos mais uma vez. Relever é quase um revelar. É relevante pensar que, com os dedos a digitar, posso criar o mesmo conforto que sinto quando você está por perto. Relevo até a distância, apenas porque poderei relever a beleza descrita nos seus olhos.

Desliza

31 de julho de 2011 § Deixe um comentário

Na memória, todas aquelas horas que nos procuramos para dividir mais um probleminha duranate o dia. Na rua, enquanto passa lindamente fazendo os outros cairem desejando sua presença. Na tarde, enquanto deslizando se esquiva da falta de cuidado dos outros. Desliza falando, porque não quer ficar calada. Deveria ser eu bom patinador, mas estamos falando de você. Eu sou ciclista.

Enquanto sobre rodas ou sobre gelo vai bailando pra ser minha memória de liberdade, também professa a simplicidade de um corte inusitado, ainda que pra não chocar ninguém. Como o vento, desliza com seu perfume, tomando minha mente com a lembrança da sua proximidade. E vou ficar ali só olhando enquanto patina no shopping ou no parque. E pegarei uma bicicleta, só pra não ficar muito pra trás. Quer um sorvete? Ou quem sabe pão de queijo ou bolo de fubá?

Fair play. Admirador de um campeonato talvez já perdido, mas com a companhia sempre marcante breve e esquiva de quem desliza nas horas, nos lugares, e até patina navida. Deve ser papo para outra hora. Agora, é só admirirar a menina que aprendeu a deslizar falando, apenas pra fazer esse menino se alegrar. E desliza que estou ali por perto, sorrindo e com vontade de abraçar.

Mais

31 de julho de 2011 § Deixe um comentário

A vida é breve, a avidez deseja mais. A chuva desce, num sempre movimento de escorrer. A natureza pede mais. As pessoas sempre falam, mas, quando nos importamos, pedimos que falem mais. A casa conforta, mas o friozinho pede ainda mais. O amigo ri, mas com uma piada sincera, a gargalhada é evidente. O dia é longo, mas um dia ao seu lado deveria ser maior. O irmão confia, mas, diante de um delito, deseja ainda mais.

O esritor escreve, o leitor pede sempre mais. O carinho abraça, mas sua beleza me faz desejar ainda mais. O maior domina, mas sua insegurança exige que o faça ainda mais. De pouco em mais, vemos uma loucura cantada diariamente. De mais em pouco, podemos ser a relação absoluta de um com o outro. Assim como a criança pergunta, desejamos saber ainda mais. E tristes, voltamos para a nossa rotina controversa.

Até que o dia fez-se sábado, e desejei ainda mais do que tinha naquela hora. O cigarro acalma, o café pede que queimemos mais. Uma cerveja irriga, a sede pede muito mais. Vamos perder algum tempo avaliando o paradoxo, a sinceridade fará mais. Porque seria muito mais ter a gentil presença de minha rosa ao meu lado. O perfume encanta, mas tem um que me toma muito mais. É hora de falar menos do que sinto, e viver mais.

Outra versão, mesmo carinho

30 de julho de 2011 § Deixe um comentário

Existe uma flor, que ontem eu deixei ir embora pra casa, enquanto continuava minhas viagens por planetas estranhos. Outra versão da mesma história. Existe uma sensação de falta e raiva que sinto toda vez que me lembro dessa flor. Seu perfume. Sua suavidade. Sua alegria de sempre, mesmo quando triste. Não sei bem como determinar qual o efeito dessa flor em mim, mas sendo muito realista, posso simplesmente afirmar que tal flor, linda e diferente de todas as demais, me faz morrer e viver a cada instante.

Existe uma distância talvez intransponível de mim até a linda flor. Temo, de fato, que minha constatação seja verdadeira. Temores, cuidados, atalhos, primores e muitas histórias pra contar. Passando por cada um desses planetas quase ridículos, posso perceber o quanto o universo conspira a nosso favor. De alguma maneira sei que deve estar falando de mim, olhando o que eu faço ou mesmo apenas lembrando de alguma piada, risada, gentileza ou olhar. Não me canso de olhar, porque é pra isso que os olhos foram feitos: admirar belas flores. Sensação de conforto e de saudades. Mesmo carinho de sempre que nos vemos.

Depois de perceber que existem muitas rosas, cheguei até a pensar que fosse igual. Não foi. Porque o tempo de cuidado único foi dedicado a você e não a qualquer outra. Mais do que desejo egoísta, uma carícia altruísta que me faz ficar à sua disposição. Estou disposto a sorrir com você. Estou determinado a fazer muitos sorrisos nesse seu semblante sutil. Porque, no final do livro ou da história, nos encontraremos, nem que seja apenas nas mentes mais otimistas e apaixonadas. Falemos de mimos, sejamos sinceros.

Butterfly

30 de julho de 2011 § Deixe um comentário

Azul. Céu de esperar cair conforto, água, ou sol aconchegante que salpica nossa pele. Verde, das folhas que da minha janela me trazem ainda mais conforto e esperança às manhãs nubladas de sábado pós-ontem. Cinza, do que sempre traz friozinho de arrepiar pela manhã e me tornar mais um preguiçoso debaixo das cobertas. Formigas trabalhando. Pessoas trabalhando e comendo. Grilos no silêncio e cachorros para ensinar o sentido de amizade.

Ruas, vias, estradas, rodovias, calçadas, para ir onde quiser. Para fazer o que quiser em qualquer decisão, ocasião ou sensação de papo bom. Que tal falar mais de hoje. Que tal também perceber a importância que tem as pequeninas. Aquele tudinho que me deixa mais feliz quando falamos. Pássaros que voam e dançam sem que eu perceba a cada instante, mas que sei que estão por lá.

Acostumado a olhar pro chão, às vezes perdi pores-do-sol. Acostumado a olhar pra frente, Às vezes predi quem estava ao meu lado. Acostumado a estar parado, me habituei a esperar um pouco mais. Até que um dia, uma linda borboleta me ensinou a olhar pra cima, para os lados, e para onde as cores chamam. Apenas para, enfim, ficar de olho enquanto voa. Voe pra mais perto. Voe pra mais longe. Saiba que este ombro estará aqui quando voltar. Acredito que o nome disso deve ser saudade.

Hands Free

30 de julho de 2011 § Deixe um comentário

Mãos que se tocam fazendo de dois um. Braços que seguem das mãos até os ombros provocando vontade de abraçar e fazer a melhor carícia pra você. Peito para ser o seu refúgio e te fazer sempre confortável. Olhos para acompanhar os seus passos quando chega ou quando vai. Ouvidos para perceber sua doce voz ou o barulho que o grilo faz no silêncio que nosso conforto provoca.

Freedom. Livre, para ser quem te faz sorrir. Na liberdade fazer valer o sentido de amizade. Sem cordas, sem amarras, sem cobranças. Acordando na hora em que conseguimos levantar depois de um ontem maravilhoso. Algumas coisas para não se preocupar, além da saudade. Pode mesmo ser contraditório, mas é melhor ser preso a ti que totalmente livre. E fico livre para ser o seu refúgio.

Mãos que se libertam para acenar. Braços para enolver. Mente que procura novas palavras para escrever o melhor de eu e você. Quando, depois do amanhecer, não houver mais nada para colocar nos dedos, tente entrelaçar sua mão na minha. Pelo menos pode estar certa de que minha sina será sempre a de acompanhar você de perto, fazendo-nos um só naturalmente. Hands free, vamos devagar. Um cigarro entre os dedos para sorrir sem ter motivo.

Onde estou?

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