Mais pele, mais furor

30 de abril de 2011 § 4 Comentários

Mais que fogo, anomalia moral e mental de surto molhado. Desejo permanente de pele. Pulula nos ar sobre a cabeça o seu cheiro sensual que envolve cada idéia do pensamento e faz vibrar o olhar já espantado com sua volúpia. Cheiro de delícia ainda em formação a dois. Aroma de desejar e querer mais que pensar. Saúde animalesca. Brutal brasilidade conhecida dos estranhos estrangeiros que por aqui pagam caro (mas não você). Em trapos e sem eles. Nenhuma segunda pele. Nuances.

A cama, desmanchada com a sua atitude de receptividade voraz só demonstra o quanto cada sentido é verdadeiro e faz a verdade dos gritos que saem da sua garganta já preenchida e ecoam pelos corredores. Verdade das maiores imoralidades santas que podem ser feitas entre quatro paredes. Trata-se do que queremos, tenhamos, então. E um minuto para descrever na mente a próxima rodada de ménage ou o próximo exercício indiano. Livro cultural que sobrevoa nossa curta experiência.

Atrito que deixa a pele roxa e as partes mais sensíveis – todas elas. Calor que aumenta na mesma medida em que não sacia os cuidados, mas aumentam a força e a guerra defendida com unhas, dentes, bocas, mãos, parte, pele e pelos. Pelos, pele, partes, mãos, bocas, dentes e unhas, tudo e intenso. O que fazer senão o mais sublime e tenso? Urrando, podemos cuspir as palavras engasgadas na memória e ter as atitudes presas nas roupas de baixo. Mais e mais vontade de aprender como aumentar o seu prazer, satisfazendo o meu. Isso também pode se chamar amor. Pensando assim, devo estar apaixonado.

Cadê o meu queijo?

30 de abril de 2011 § Deixe um comentário

Alguém mexeu aqui! Alguém está querendo sanduíche. Papilas gustativas e casamentos reais com seminaristas fazendo cambalhota! Foi pra rede: é peixe! Ou seria gol? Vai saber. Em Terra-Brasilis peixe faz gol e fica tudo em casa. De tempos em tempos, então, a manhã fria vai causando calafrios e a silhueta dela só moldando minha mente para amanhecer um pouco mais animado. Outonando suavidades animais. Suado das cobertas, dou-me ao luxo de estar atrasado. Na verdade, um refém mais da insônia que de Orfeu – que já perdeu os braços por aqui.

Fim de mês é o momento ideal pra comer no Japonês. Sushis, sashimis e aqueles pauzinhos só pra irritar um pouco no início. Salmão, coca (american-japanese-food), café pra lembrar que estamos em Terra-Brasilis, que fome! E continuando o dia em formato de barril. Sem pendências. Alguém já viu um barril no SPC ou SERASA? Eu não, portanto, me espelho neles. Arredondados de certeza e rigidez, carregando ou apenas contendo néctares sagrados, grãos necessários e nossa nobre ilusão de riqueza. Mas que beleza! Até em maio vai ter carnaval. O carnaval das compras do dia das mães, logo depois do carnaval sindical de 1º de maio. Esse povo não aprende mesmo, tem apartamento no Campo de Marte – preenchi vinte cupons.

E o pop é beato! O chato fará do pop um beato. Ouvi dizer que seria santo, mas a beatificação o torna beato. Jornalistas formados fazendo confusão: o que nomeia o santo é a canonização, estão ensinando o que na faculdade? TV aberta dá nisso. Ou seria a Emanuelle. Lembram dela? Será que ainda existe? Por fim, cadê o tira-gosto? Não trouxeram, ou levaram, como as espectativas juvenis. E uma madrugada com suco de limão e cigarros. E as grosserias na rede. Estupro virtual de informações pouco úteis. Boa noite.

Marcas

27 de abril de 2011 § 1 comentário

Tenho cicatrizes, marcas, manchas, algumas delas são diretrizes das histórias que vou persistir em calar. Pode falar você, então. Calar-me-ei de qualquer novidade. Pode esperar. De todas essas marcas, contudo, as que mais gosto são as que você faz em mim e eu devolvo. Na pele, na mente, no peito e dentro do coração que vai batendo de saudades. Pênaltis de sedução. Gols marcados de carícias.

Tenho uma agenda pra marcar os seus horários e conseguir falar com você nem que seja só um pouquinho. E, marcando todas noites todas pra sermos um em nossa casa, nossa cama ou nossa sala. A mesma agenda que usarei pra marcar fins de semana na casa da sua mãe com nossos filhos. Marcando encontros, almoços, parques e encontros casuais. Marcando nossa vida no mesmo papel que hoje marca nossa distancia.

Lado a lado, numa marcação cerrada que só o tempo torna natural. Me ligando antes e depois do almoço e me fazendo me sentir querido, assim como eu quero que você se sinta. Fazemos juntos marcação mulher a homem. E o jogo vira uma divertida partida entre nos dois. Dois ganhadores de um mata-mata sem empates e de roupa molhada do calor que você causa e da camisa que você tira vorazmente. Lançamento sem tabelinha. Dias e noites com marcas próprias. Iguais às que temos nas pontas dos dedos. Brincadeirinha de sermos dois.

As penas que o vento traz

27 de abril de 2011 § Deixe um comentário

Como uma galinha, aparentando ser um pavão desaforado que foi à forra do passado infame. De cansaço a meios dias, pode-se mesmo dizer que o que mais conta é não passar batido. Quase falta inspiração. Excede transpiração de trabalho quase mal-feito. O pior é a decência do respeito por um produto mal vendido e descabido de necessidade extemporânea: pudor, pavor e combate com calda de chocolate.

Terceiro mundo tomando meu primeiro e melhor lugar ao sol. Faróis de xenon pra me cegar à noite. E a vidinha vai passando enquanto um babaca excede no desrespeito, dois babacas acatam esse tipo de atitude, e uma porção maior ainda de babacas chega a aplaudir o pútrido show presenciado pelas queridas pupilas traídas. Não me retraí de medo ou por segurança, o fiz por vergonha de ser humano. Cabisbaixo só de ver mal-criação adida de mais que presente decepção aos humanistas Caraíbas.

É difícil entender. Nem todos poderiam perceber a sutil diferença entre vergonha e medo. Pode parecer os dois, mas vou gastar minhas moedas com quem importa mais. Não será um meio homem ou uma meia mulher, ou meias pessoas com suas cabecinhas de tanto pensar futilidades que farão dessa minha existência verdadeira menor ou menos importante. Aprendam os opositores: não haverá vida na ignorância, lutem pra sair dela. Meias palavras de meio seres imprestáveis: penas que o dia traz com o vento.

Dante

21 de abril de 2011 § Deixe um comentário

Nome de francês, tanso, tolo, quase manézinho. Modos nada etiquetados. Humorista, balonista, engraçado e comilão, com o perdão do trocadilho. Dessas pessoas que devem sempre ser mantidas por perto. Descobriu ser um artista, pena não ter sido descoberto ainda. Ator do quotidiano, representa a batalha dos que moram em Itaquera e persistem em não se vender às contravenções, excetuando o licenciamento atrasado do seu uno.

Conhece radares, mulheres, parceiros e cervejas. E tem muita história pra contar: ó só… – e lá se vai o pescador Dante. Parceiro de mesa de trabalho e de boteco. Levando o dia com a mesma barriga que enche de Etanol fermentado ou diluído. Onde estaria no feriado? Trabalhando é claro! Fazendo valer à pena cada voto confiado por seus pares ou familiares.

Há mesmo muito o que se dizer desse nobre gentil. Mas há ainda mais motivos para estar por perto desse grande camarada, e isso porque latas ou garrafas serão poucas para celebrar a amizade, a graça ou mesmo as piadas fracas, que se tornam engraçada pelo seu jeito quase único de ser hilariante. Sejamos sinceros, poucas são as pessoas que tanto podem marcar um dia casual de trabalho ou um domingo qualquer com tanta maestria. Seja bem vindo a este mundo! Obrigado pela sempre presente simpatia! Amigos de mesa também estão aqui para os outros smomentos.

Medievais costumes – Modernos interesses

21 de abril de 2011 § Deixe um comentário

 

Jejum medieval – consumismo liberal. Cristianismo posto em cheque mais pela postura ruim de religiosos que pela fé em si. É preferível tomar cerveja que discutir essa relação, mas daqui faço os dois. Vamos juntos? Peocupado, como tantos, com os rumos de uma instituição que parece andar para trás, levanto uma questão: onde estarão os profetas do terceiro milênio? Parece-me que longe dos centros urbanos, em solidariedade a tantos outros iguais e pobres. A profecia de ser bom, contra a antiga profecia do falar bem.

Acostumados a comer bezouros, esses proclamadores da Palavra, não ligam de beber café com insetos ou comer açaí com barbeiros. Chagas de Sexta-feira-Santa. De qualquer maneira, gostariam também de pagar por um belo bacalhau, ou por um banquete pascal com vinhos e muita comida. Longe de mim ser contra esse consumo, ele está aí e deve ser para todos – na ilusão democrática, é. Feudo de ovos de Páscoa, formado de uma ilusão de preocupação com a pobreza. Chocolate de qualidade a todos, então, ou obesidade feita da gordura de chocolates baratos.

Gordos, quase feitos para o abate, esses vivedores da verdade não se espantam mais com a futilidade das datas e fazem o que podem. Como seria bom se nossos costumes fossem tão modernos quanto nossos interesses. Minha fé, é a fé nos que tem fome. Minha verdade é a verdade desdentada pelas cáries dos morros e periferia. Minha Páscoa, liberal, vai estar cheia de pessoas que, iguais a mim, se esforçam para fazer o ambiente mais agradável e simples possível. É uma pena. As pessoas vão vendo a Igreja andar para trás. Eu me sinto andando em círculos. Quase feliz Páscoa de olhos semi-abertos.

Mistura de chocolate e roupa suja

21 de abril de 2011 § 1 comentário

 

Chocolates, pães de açúcar, bacalhau, vinho, cerveja e a família reunida. Mais uma vez nesse ano que nem chegou à metade é festa. Mais uma vez nesse meio tempo em que ainda estamos analisando se as coisas vão bem ou não, bagunça. Ovo de páscoa pra criançada, e tudo fica melhor – como se deve. Só a alegria de ver os pequenos barrigudos lambuzados já faz tudo nesses dias valer à pena.

Mais alegria em provocar alegria do que em sentir definitivamente. Haverão brigas, haverá batatas, haverá cerveja e muita gente de fora pra encher o seu barraco. É, nós que sabemos fazer festa. Chega gente, sai gente, entra visita, sai visita: e tudo vira mesmo brincadeira de criança, desde a tradição de comer peixe até as novidades implantadas como a maionese, o macarrão e a amarula. Sábado vai ter churrasco. Domingo, bacalhau com churrasco. Segunda, marmita de bacalhau ou churrasco.

Nessa semana, a fé se mistura com vontade de ficar junto e comer bem. Já que as coisas não vão bem naturalmente, um feriadão pode ajudar. Põe a pimenta na mesa, e a vontade de beber aumenta junto com a conversa fértil de besteiras que, por imposição familiar e etílica, apimenta também as relações com casos que deveriam estar encobertos. Lavar um pouco de roupa suja, e todo mundo volta à vida normal segunda feira. Semana que vem haverá almoço só para fofocar da semana anterior. O que resta é desejar: Feliz Páscoa.

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