Grande circo chamado Brasil

10 de março de 2011 § Deixe um comentário

Num desses dias, num desses circos que montaram, me fiz um palhaço pobre. Aqueles de maquiagem borrada e piadas meio toscas. Nem acredito ter sobrevivido. Aonde foi mesmo a platéia? E brincando, fui percebendo que a vida tinha muito mais do que algumas horas de um ato novo. E a graça que tanto tentei expor, dentro de mim estivera, e, se não fosse lá, em nenhum lugar estaria. Disposto a voltar para dentro, saí e vi o que não queria.

Na caverna que se fez a existência, varri com dignidade todo aquele picadeiro. Tudo para que apenas um animador ou domador pudesse realizar ali seu palco. Pudesse dali ludibriar com mentiras o que minhas verdades não podiam mais cativar. Fui castigo e crime cometido de antemão – o de acreditar. O de respeitar mais do que era respeitado. Ser preto, ser pobre, ser mouro, ser tudo a mesma coisa que não é branca e rica – só pra ser desrespeitado.

Uma hora dessas essa droga vem à tona. Um momento desses em que pessoas, talvez, por um lapso do destino ou ironia da vida, sejam consideradas por si e não pelo que tem. Num desses instantes em que a humanidade grita, talvez haja liberdade, evolução. Enquanto isso não acontece, me reservo no direito de ter pena da nossa burguesia de circo. Nossos elefantes brancos que expõem sua desgraça opulenta, enquanto palhaços, ratos e platéia, se contentam com migalhas e show barato.

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