Ano velho, coisa nova

31 de dezembro de 2010 § 2 Comentários

E eu, que imaginei que o ano velho já tinha acabado, fui surpreendido. Rosto novo com papo diferente – uma coisa meio estranha acontecendo, e eu ciente. Tudo muito bom e inusitado como as melhores coisas são. Com direito a coincidências e tudo o mais que as surpresas boas provocam desinteressadamente. Eu, me sentindo um idiota – porque assim você me fez. Esperando apenas não ser sempre. Quiçá também eu tenha assunto pra mais três horas de conversa, ou muito mais.

Cada uma… Cada coisa… Que gênio! Último dia de um ano que parece o primeiro de muitos que já espero. Antecipando acontecimentos que outrora acreditava impensáveis. Eu, na minha insignificância, me sinto lisonjeado pela lembrança quase inacreditável que, de sete anos me assaltou. Eram olhos castanhos, ora grandes, ora pequenos, mas com um brilho do qual me lembro, o que me faz familiar deles e dela toda. Novidade de uma relíquia. Talvez muito confuso como todos os anos, velhos ou novos, pretendem ser.

Na noite de tantos brinquedos quebrados, em circunstância de pele que se lembra no fim dos tempos de um 2010, e dispostos a dividir um tempo um abraço e um bom papo. Assim, na de compor amizades instantâneas e reforçar antigas, fazer promessas novas ou renovar velhos compromissos não cumpridos, estarmos juntos. Em nosso réveillon, nossa hora de virar gente ou virar bicho, trocar carícias e, de horas reunidos, interagir com cuidado e com capricho. Feliz Ano Novo!

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Memória de véspera

24 de dezembro de 2010 § 1 comentário

Falar de mesa. Para muitos um sonho, para outros, certeza. Dia de bagunça e noite de lavar a roupa suja. Peru, pernil, maionese, avós, irmãos, tios, tipos planos e topos. Mais que enumerar, regra de recordar e acordar mais uma vez da ilusão do feliz Natal ou do sonho de ter um lar pra onde voltar. Árvores felizes, como deveriam ser também as pessoas. Bebidas comemorativas como deixaram de ser as relações. E de transtorno bipolar comemorar como antigamente.

Jogar dominó sem a pretensão de ganhar. Comer como se não houvesse amanhã. Simplesmente desejar tudo isso ou quase isso. Sendo simpáticos à mesa, com hábitos que não se aplicam ao dia a dia. Depois da Missa do Galo, estar mais de cara cheia do que no ano novo, apenas para não ser obrigado a se lembrar das brigas de 24 à noite, das gafes do seu cônjuje, ou de suas próprias quedas na escada de acesso à sala.

É que assim se passa, e de enfeites mais que ausentes da sua casa, com as pessoas a comentar de suas árvores, seus passeios e as viagens dos últimos natal, padecendo todas surdas de sua infeliz vaidade. Se gabando daquilo que, na verdade não importa, pelo simples fato de não se sentir inferior. Não tem brilho nem por dentro nem por fora, mas, qual o problema? É Natal, de consumir e de consumar. Do festejo ou do desejo, pesadelo e vibração dos jingle-bells. Tenho pena, mas também boas lembranças: Feliz Natal!

Brinquedo quebrado

23 de dezembro de 2010 § 1 comentário

Na véspera dos festejos familiares, sinto falta de alguma coisa. Cai uma gota salgada pela face marcada do dia-a-dia quente e molhado de dezembro. Não é época disso, mas, se chorar, que seja de saudades, e, se doer, que seja de abraçar. Porque já tem muito tempo que uns dias e outros deixaram de ser diferença, abismos, ou pontes entre mim e você. Mosqueteiros. Abaporus. Tupãs. Caraíbas de abraços efêmeros ou passageiros. Cada vez mais dedicado a essa pele cantante.

Uma hora dessas eu rio. Eu mar. Eu oceano de furor. Natal, de verdade, deve ser mais que maldade. Mais que acidente. Ultimato do meu suor que chama e faz valer. Amor de mesa, de cama, de sofá e de amplexo familiar cuidadoso e simpático. Cada um em seu próprio Natal com seu Noel. Rosa, verde, azul e de mais cores. Escritor, compositor, autor e intérprete de sua própria simpatia.

De modo individual, faminto, comer peru, lombo, maionese e rabanada. Dançando lambada, frevo ou congada. O mesmo coco da água é o coco da balada e das reuniões caipiras. Eu imagino que, de lembrança remota de curiosidade possa emergir o carinho que te devolve beleza, cuidado, leitura e um brinquedo de infância. Porque rasguei o meu ursinho, quebrei o meu carrinho. Que o brinquedo da noite não se parta em minhas mãos. Feliz Natal!

Solo

19 de dezembro de 2010 § 2 Comentários

Não sei porque, mas você me faz voar. De algum modo, me leva a pairar sobre meus sonhos de poeta ou sobre meus exageros de maluco. Lá de cima, como uma águia, de longe te sigo e te persigo como fosse você meu único destino. E cauteloso resto a voar e voar só pra não perder essa visão. A mais linda, a mais perfeita. A mais completa imagem da felicidade. Pequena de tamanho, mas a maior em meus cuidados: você, rubra.

Eu até sei porque você é o meu motivo e minha esperança. Pois me guia nesse desejo que só cresce e me guia para um abraço só nosso. Me torna mais eu ao ser você e estarmos juntos. De dois em dois passos, me coloco a olhar em volta. Sem procurar por nada, percebo que me envolve o seu perfume de presença ausente: é saudade. Não é você que está aqui, então, não há de ser mais ninguém, apenas brisa. Não há ninguém além de você, e disso eu sei.

Em calores de domingo, poderei restar meu sono em paz e breve de chão rasteiro, porque é certa a sua existência aqui dentro, em furor. É forte a saudade e forte o desejo. Nada mais poderei fazer, sendo um solo descido, pouco e pequeno, pronto para receber de ti toda essa luz que dá a vida. Nenhuma reação sequer terei, enquanto a força de seus olhos não tocar minha superfície me tornando fértil. Nenhuma serventia. Apenas areia que o vento leva. Que não seja assim com as palavras e possam elas me trazer seu beijo de sol.

Em seu lugar

18 de dezembro de 2010 § 1 comentário

Sairia daí agora e viria para cá me abraçar com toda a força, toda paixão e toda raiva. Ficaria em casa, só para comer esfiha enquanto, juntos, bebemos uma bela cerveja gelada não importa a marca. Largaria, de bom grado e não por obrigação os mais diversos programas e as mais diversas qualidades de entretenimento por um abraço só nosso, que nos devolvesse o sentido, ou nos fizesse perdê-lo de vez. Eu ficaria assim, olhando para o telefone o dia inteiro na espectativa de receber uma ligação com voz rouca e carinhosa que me tiraria do chão.

Me pintaria, trocaria de roupa, arrumaria o cabelo vermelho só pra me encantar e correria ao meu encontro. Estaria apaixonada, e, de celular na mão, seria o projeto insensato das nossas carícias sem limites e sem fim, na voluptuosidade de um abraço único, provocaria pânico de tremer toda a Terra com encontro que ela mesma fez questão de recriar. Acreditaria em contos de fadas, papai noel, em sapos que cantam e em histórias nas quais raposas existem pra nos fazer aprender a lidar com sentimentos e com o amor.

Me poria de pé ou deitada ao bel prazer do que nos satisfaça, e, na exata cadência dessa sensação de saudades e alegria, eu seria toda em função do nosso sorriso depois de todas as intimidades faladas e sentidas. Abandonaria os dias, de modo que nosso abraço seria alimentação e razão da minha existência. Da minha grandeza, me faria pequena, só pra caber no meu abraço, e lá me encaixar até o mundo acabar. Não teria mais compromissos, horas, meses ou minutos, e meus dias se dividiriam entre felicidade e saudade: presença e a falta da carícia e do abraço que me faz viver.

Mudaram dias e noites

16 de dezembro de 2010 § 1 comentário

Dias e noites deixaram de ser iguais. E essa vozinha sonolenta vai ressoar na minha mente pelo tempo que durar a falta de você em meu abraço. Tudo que do cinza me fez Caraíba, no vermelho me ressalta identidade. E, de segredo de pele não contado, também enrubeço como você ao telefone. E viro critica da saudade que mata, mesmo que improvável, mesmo que impensada. Na conquista que se fez uma primeira carícia distante. De volta de um degredo.

E te direi: boa noite! – todas as noites, porque boas noites são reservadas pra quem sonha. Mais uma vez visitas faremos da mesma forma que a alegria nos visita há dois dias.  Em mais abraços. Em mais sentido. Em mais de mim. O que eu posso mais que ser verdade, pele, sensação e furor? Saudades, claro. Na mesma proporção em que está presente em mim a cada instante breve e quente que me recordo do que ainda não aconteceu.

Mais que ter inspiração. Transpiração de falta me toma da mesma forma que memória não vivida de uma história a ser escrita. Muito além de um mero convite. Uma certeza daquelas que raposas não se esquecem e o vermelho faz brilhar. Branca. Da cor de uma carícia pura que nos obriga a ser de volta pelo mero prazer de memória futura, sendo um permanente sentimento de paixão, no furor que o dia, a noite, ou a saudade, com a sua voz provoca.

Doce e novidade

15 de dezembro de 2010 § Deixe um comentário

Falei, e vi resposta: escrevi, feliz! Se é amor, desejo, curiosidade ou cuidado, não sei, apenas sei que tem coisas que devem ser ditas pessoalmente, porque o crivo da paixão é o abraço, e, por extensão a pele. Na gratuidade de uma carícia e na voluptuosidade de um beijo, em tudo o mais que me reserva sua doce imagem que insisto em guaradar em minha memória, desde aqueles anos quase juvenis.

Existem coisas por passar que não podem ser ignoradas, mas senti um impulso de alegria ao falar novamente com você, que não me privo de errar, falando mais do que posso, talvez atropelando o que deve ser preservado devagar e com cuidado. Esse cuidado, reservo a você. Que em vermelho de sua personalidade e cabelos, poderá restar em meu ombro ou meu peito após toda a sorte de carícias que puder ser cumprida. Perícia de sentir o breve várias vezes.

De você, ainda sei pouco, do que quer, ou se permite. Como saber? Abandonando seu suspiro ao meu. Renovando sua carícia na minha, gratuita. Repousando meus cuidados no seu: uma pele que nos chama e nos impele a uma fluência única, verdadeira, de dois. De fato, o melhor dessa doce novidade nos espera. Novidade de surpresas. Surpresa de sorriso belo. Beleza de cuidado gratuito: Tenha bons sonhos, porque os meus, hoje, serão com você.

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