Retrucando o (un)inverso

29 de novembro de 2010 § Deixe um comentário

Confrontando-me no refluxo mais interior de sensações discaradas: Caridade de porta de catedral! – vil. Um ano inteiro guardando níquel só pra se mostrar maior que o coitado do aleijado. Um pouco mais do que resto de orvalho, ou de saliva ao canto da boca. Quase chuva eterna de lágrimas e prata preta. Nobre vaidade de sabedoria senil. Comendo o outro e a outra, juvenil e Juvenal, de novo e de novo, numa carícia oca. Trópicos que me lembram cinturas, curvas, frutas, modelos e uvas de vinho tinto que beberei sozinho, no remanso do meu remorso, tua salvação e alegria, com lingerie pequena, só pra sedução. Sinto sua falta, mas direi o contrário. Será apenas a lingerie que me faz isso? A confirmação.

Perceberei cada suspiro doce de maçã-verde que emana da sensualidade desse Éden do qual também fui expulso: Adão, Eva, Caim sem conforto em colos magros de carinho e opulentos de avareza – perdido – de um repolho catado no saco de lixo da avenida Ipiranga. Ode aos mal-amados! – pelo menos encerrados na sua certeza e desgraça. Canto de Iemanjá, pra me salvar do mar, da areia, do guarda-sol, do quiosque e do drinque; pra me levar de ilha até um barco ou uma plataforma de orvalho preto. Tão artificial como minhas sensações de fraco marinheiro de terras áridas. Sozinho na capital chinesa. Xangai da Patagônia. Comendo farinha de trigo: acabou a mandioca! – gritaram.

Na geleira da sua face, quero tomar o mesmo sol que só vem para dar uma queimadura nas pontas dos meus dedos congelados. Em relva, quero cantar o concreto, o amianto e a dengue, a ferrugem das faces xavantes nas pexeiras de Lampião. Em cidade, quero plantar soja, trigo, plantas tão verdes que até a malária possa se enganar e penetrar pelas janelas fechadas. Fachadas pequenas e beges de demonstração solitária, a expelir sentimentos tribais: cantar o coco, maracatu e a congada. Para, no fim, ser apenas cereja verde: o recheio rejeitado posto por engano na receita antiga da empada da vovó.

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