Taquicardia, é?

30 de novembro de 2010 § 2 Comentários

Depois ou antes do cigarro. De pé na calçada ou deitado na cama depois ou antes de um momento de prazer. Há quem goste solúvel, com pimenta, chocolate. E há quem goste do momento de sentar à mesa, da beleza, da cor da união, do açúcar. Eu convido você, mas confio no café. E coro de vontade de falar tudo sem dizer nada.

Não me lembro se tendo tempo ou não, mas, sem aquela face a me devorar do outro lado da mesa, café que é café vira paçoca. E, de dentro da casa, fujo pra oca, vem? Pra padaria, pro boteco, com gosto de máquina, sem açúcar e até com leite… ô neguinho! – que traz o dia, furor e neguinhas. Ainda que barras de chocolate, mas, te ofereci, você não quis. Eu tentei não viciar.

Contente-se com taquicardia, momento da tarde, palavras austeras, manhã quente de bom dia, de carícia de abraço do seu par, ou pão de queijo de momento na sala da vovó depois da tapioca, importante mesmo é escolher – versar versátil o inverso do marasmo. Café antônimo de pudica. Como você, eu vou de café, e vou com fé.

Retrucando o (un)inverso

29 de novembro de 2010 § Deixe um comentário

Confrontando-me no refluxo mais interior de sensações discaradas: Caridade de porta de catedral! – vil. Um ano inteiro guardando níquel só pra se mostrar maior que o coitado do aleijado. Um pouco mais do que resto de orvalho, ou de saliva ao canto da boca. Quase chuva eterna de lágrimas e prata preta. Nobre vaidade de sabedoria senil. Comendo o outro e a outra, juvenil e Juvenal, de novo e de novo, numa carícia oca. Trópicos que me lembram cinturas, curvas, frutas, modelos e uvas de vinho tinto que beberei sozinho, no remanso do meu remorso, tua salvação e alegria, com lingerie pequena, só pra sedução. Sinto sua falta, mas direi o contrário. Será apenas a lingerie que me faz isso? A confirmação.

Perceberei cada suspiro doce de maçã-verde que emana da sensualidade desse Éden do qual também fui expulso: Adão, Eva, Caim sem conforto em colos magros de carinho e opulentos de avareza – perdido – de um repolho catado no saco de lixo da avenida Ipiranga. Ode aos mal-amados! – pelo menos encerrados na sua certeza e desgraça. Canto de Iemanjá, pra me salvar do mar, da areia, do guarda-sol, do quiosque e do drinque; pra me levar de ilha até um barco ou uma plataforma de orvalho preto. Tão artificial como minhas sensações de fraco marinheiro de terras áridas. Sozinho na capital chinesa. Xangai da Patagônia. Comendo farinha de trigo: acabou a mandioca! – gritaram.

Na geleira da sua face, quero tomar o mesmo sol que só vem para dar uma queimadura nas pontas dos meus dedos congelados. Em relva, quero cantar o concreto, o amianto e a dengue, a ferrugem das faces xavantes nas pexeiras de Lampião. Em cidade, quero plantar soja, trigo, plantas tão verdes que até a malária possa se enganar e penetrar pelas janelas fechadas. Fachadas pequenas e beges de demonstração solitária, a expelir sentimentos tribais: cantar o coco, maracatu e a congada. Para, no fim, ser apenas cereja verde: o recheio rejeitado posto por engano na receita antiga da empada da vovó.

Amplexo

28 de novembro de 2010 § Deixe um comentário

Côncavo e convexo, completo e repleto. Desejo de cuidado e amplexo. Pernas que caminham no passeio do Anhangabaú ou por entre as lojinhas do Brás. Meu desejo é o de aparição quase remontada de saudação desajeitada: a mesma que ofereço na sua presença sempre nova. Eu tenho quase vontade, devendo, então estar meio morto, quase todo disforme e torto. A casa, então, tem um novo encanto, te esperar e sonhar no que dizem os seus ares.

Você, vindo com sua pele suave, para completar minha espessura de pelos e tempos, lisa e esguia. Eu, voltando a ser macio no que você precisar de cuidado que apenas eu sei dar. A nossa ponte – tato. O toque mais que verossímil de mãos erógenas de saudade e carícia. Mais café, ou mais abraço.

Tornando a ver o que acontece na TV de rotina desgraçada.
Tiros, ocupação, comentários, vídeos inúteis. Minha saudade tornando tudo isso menor. O desejo de você me fazendo prestar atenção em coisas que não conhecia e nem queria. Mais um domingo de fuga. Mais um momento reflexo. Espera aguda e instável de seu mais completo e doce amplexo.

Simples

27 de novembro de 2010 § Deixe um comentário

Falar sobre bom dia. Sobre dia ruim e abraço que tudo muda. Minha maneira de devolver abraços – escrevendo. Não apenas das coisas, porque importa mesmo é que está sol lá fora e não saí de casa. Talvez o abraço não tenha vindo, mas imaginei que sim. Era um bom abraço. Ainda tenho força, fome e pernas. Dá pra sair, eu acho.

Cerveja pelo prazer de quem acompanha, ainda que não seja ocasião de encher a cara ou a casa. O sabor do cigarro do tédio, que saboreio eventualmente depois do café-conforto, fraco e meio doce. Ausente da presença que não mais. No mais, um “Quero te conquistar…” ao fundo. Se pudesse, morreria de bom dia, só pra viver de abraço.

Papel em branco de um papo-silêncio. Perpétua sensação de angústia e solidão – mais fome e sono. Estado de sítio pouco florido, mas cheio de brotos. Poder olhar pessoas bonitas, dar sorrisos ou risadas. Lembrar da sensibilidade e da sensualidade. Imaginar de novo esse abraço e talvez buscá-lo. Temo a busca da mesma forma que anseio o encontro. Nada demais.

Mulatos parabéns XD

21 de novembro de 2010 § 1 comentário

Dia de festejos que às quinze começa a revolver mais uma história, novidade. Saga moura de uma homenagem mulata e meio branca na de fazer não um bom, mas o melhor dos últimos vinte e quatro natalícios momentos. Cuecas em São Paulo. Amizade do blues (ou soul, ou jazz) ao samba; do brega – só pra cantar junto – até o passeio no centro novo ou zona sul – nunca vamos concordar mesmo, mas Paulista, para os íntimos.

Imagino como deve ser ruim sentar no porta-mala molhado. Mas acredite, não existe uma só coisa que seja mais engraçada que seu quase escrúpulo de se revoltar contra a sensação de umedecência causada pelo face-a-boina já meio desajeitado pelo avançado da hora. XD – mesmo sem saber o que isso significa de verdade, nesse caso, apenas nosso grito de guerra e risada.

Dia de consciência, opção, revolução interna e parceria. Dia de virada, de mudança, de esperança, planos. Tempo de se afastar dos falsos pudores, e da falsa definição e certeza. Contraditórios, sim! Mas sempre, mesmo no desejo do contrário, um grupo, uma equipe, um time. Mulatos parabéns XD! Homenagem ao mais educado dos três. E um brinde, um brinde aos seus vinte e cinco – primeiro de muitos. Estaremos por perto. Pode contar.

Antes de dormir

20 de novembro de 2010 § 1 comentário

As horas que batem em meu relógio são nada menos que pequenos versos da mesma poesia que te tornou princesa. Segundos são gotas de suor que rasgam o vazio que ficou depois que me amputaram você. É mais que saudades. É difícil me reconhecer. De dia e de noite me busco por trás dessa máscara que caiu, quebrou e partiu.

Tenho a alegria de sentir ainda a sua presença em cada movimento, seja de animal, planta ou vento, como sente a lua que o Sol a esquenta e faz brilhar. E, acostumado a refletir essa luz, me desacostumei da minha própria. Mas estou bem, agora. Outro daquele, não ele. Rearranjado do pó que sobrou desde a revolução final quase francesa de lenço no pescoço.

Não mais. Não mesmo. Apenas as boas lembranças que nos são guia de como agir da melhor maneira para ser feliz a dois. Obrigado! Se tenho identidade, inspiração e furor, depende também de ti, e da saudade. Parece pouco. Tenho fé. Fé nas noites, nos dias e nas princesinhas que são a realeza própria desse mundo – essa em especial. E o beijo de boa noite, só pra ser carinhoso. Fui dormir.

Muito prazer!

18 de novembro de 2010 § Deixe um comentário

Pequena, gentil e de olhos expressivos. Sorrindo sempre, com um sempre bom “tudo bem?” que me tira da minha cadeira e me faz olhar pra você o tempo todo. Tempos de paz em meio à guerra do day-by-day. Aqui, em liquidação de sentimentos ruins, faço-me um show-room de vontade de falar pra todo mundo o quanto você é linda.

Pouco espaço para uma suavidade muito grande. Dias reduzidos a horas poucas de convívio não perpétuo em que adormece o sol na espectativa da próxima tarde em que você estará presente, horas e horas desejoso sol. E mais, tem todo um turbilhão de pessoas que parece existir apenas para coadjuvar o seu levantar de sombracelha com o sorriso ao canto do lábio: linda!

Absorvendo cada sinal que emana da sua face branca, agradeço ter podido estar defronte a essa tez quase dourada de sorriso. Estou feliz, renovado, agradecido e cada vez mais forte. Balões, animais e barquinhos. Partes de mim, que reforçam todo o prazer de te olhar. Muito prazer!

Onde estou?

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