Feito pra Você

30 de setembro de 2009 § 1 comentário


Besteira se preocupar com o limite do cheque especial. Preocupação muito boba de quem não tem mais o que fazer. Coisa de gente imbecil, que leva a vida a cumprir oito inúteis horas-bundas diárias em troca de um salário, quinhão-nosso de cada dia, que nos valoriza, custifica, quantifica a identidade.


Porque o sonho de pais como o meu é ter um filho trabalhando seis horas por dia, a partir das dez da manhã, com benefícios celetistas, corporativistas, e o mais atrativo: greve anual! O sonho de todo trabalhador assalariado é ter seu inegável direito a atrapalhar a vida e o direito dos outros: a modernidade bancária! O inalienável direito de cercear a liberdade dos demais, negando-lhes a necessária prestação de serviço, pela qual são tributadas onerosas taxas de juros ou tarifas excessivas por pacotes de serviços pouco atraentes a clientes comuns que querem apenas receber seu naco.


Um serviço já mal prestado para o valor por ele cobrado, chegando ao desrespeito completo quando ofende milhões de trabalhadores, afastando desses seu direito constitucional de ser proprietário de seus bens, de seu valor econômico, de ter acesso a essa propriedade. Até porque o segmento Prime, Vip, ou Platinum dessas justas instituições permanece sem qualquer prejuízo no atendimento ou na prestação de informações.


É a beleza do Van Gogh nas transações financeiras on line ou no bankfone-fácil da mensagem: o melhor da vida acontece! Surreal existir da SELIC no mais alto valor que um ser humano pode ter: os benefícios pecuniários da realidade econômica feita pra você!

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Dormi sozinho

26 de setembro de 2009 § 1 comentário

 

Mesmo que eu quisesse, não tinha ninguém ali, não hoje. Ainda que o frio viesse, e veio, ninguém viria naquele horário, naquele canto, só para me cobrir. Tarde de que muito fugia e precisava, de descanso e de remanso. Casa que nem reconheço assim vazia, sem luz e, no meio da tarde, bem no meio da tarde, sem dia. Sono.

Noite antecipada, que me fez menino recuperando as forças esgotadas pelo dia-a-dia de acadêmico-proletário-adulto. Sonho que, de véspera, de momentos de véspera, me faz ansioso de sua presença, só de horas. Pensando fiquei no Pequeno Príncipe. Me veio à mente, na verdade, a figura da raposa. E, como raposas vermelhas são curiosas! Fugidias, à espreita, sábias, apaixonadas, necessitadas.

Sabendo do momento de choro que procede, raposas vermelhas não hesitam em se aproximar, se aproximar, olhar, tocar, passo a passo conquistar e ser conquistadas. Raposas vermelhas, sequer tem algum pudor de amar, e fortemente se entregar ainda que só por um momento. Vermelhas velozes e rubramente surpreendentes e inusitadas, na intensidade de seu olhar ou de suas palavras, me fazendo ainda mais menino, ainda mais pequenino, quase um príncipe. E que sorte!

Encontrar uma dessas não é fácil, mas, quando acontece, basta perceber os sinais. O coração bate mais forte, as pupilas se dilatam como um entorpecente que penetra os poros e atinge cada parte da alma. A vontade de abraçar, beijar, pegar, chorar, rir, faz de quem conhece uma dessas um bobo frenético desesperado. Um pobre infante. Juvenil-apaixonado do prazer que o colorado do seu carinho e da sua presença trás. Coisas que só uma tarde de sono faz relembrar.

Cappuccino com Cheddar

24 de setembro de 2009 § 1 comentário

 

Guru da praça de alimentação. Chegando de lotação e voltando pra casa de carona. Apenas mais um. Tomando Coca-Cola enquanto assiste ao SP TV acreditando que, numa dessas manhãs, a marginal vai andar, igualzinho ao papai-noel do campeonato brasileiro, trazendo a taça na mão pela chaminé, com o saco na lua.

 

Doce, meio acre, quase tosse. No sabor de um encontro regado a gotas orvalhadas que caem do céu numa perfeição miraculosa de paulistanidade, fazendo ser Vivo, cosmopolita do Shopping Center. E duas pessoas para conversar, de tudo; de nada; de qualquer coisa. No celular, um monstro que liga e chama e acomete, mete ódio ligado com efeito ao anjo que mantém o açucarado dessa noite de meia-Lua.

 

No derretido cheddar do sanduíche Mc-Matador, o mesmo derretimento prestado às besteiras de menino, aos mimos de carência, aos abraços quentes. Aos encantos de amizade mais que venerada do betume que escurece a visão alheia, à canela do Cappuccino-Caramelado, com seu sabor de ter a quem encontrar. No patamar, com quem contar.

 

No celular também quem importa, quem faz em mim saudade já morta. Como que num portal de realidades, mudando de ares, pares, colares e chipes. Sendo enquanto pessoa amada, deixando cada pessoa um pouco amarrada. Fugidia necessidade de ser tão só, tão si, tão seu. Contraditório da “pedra que estava no meio do caminho”.

 

Pensar de penar que penas trás ao pobre coitado que bate cartão na catraca molhada. Desde o desconto na folha de ponto, até a assinatura falsificada no comprovante do Master Card de todos os almoços. Fazendo dessa pequena tarde-noite de Primavera, uma estação de flores, amigos, luares e sabores.

Enquanto Seu Lobo não vem…

20 de setembro de 2009 § 3 Comentários

 

Os dias continuam amanhecendo somente após o ônibus cruzar a ponte, vinte quilômetros depois de sair de casa. “O sol de verão queimando no peito” só aparece durante a produção daquele relatório de resultados “pra ontem”. E, por mais que pareça absurdo, as pessoas só são prioridade quando o índice de turn over está além dos padrões.

 

Porque só tem importância uma festinha de criança quando a festinha foi perdida por conta daquela reunião ou daquela viagem de última hora. E, a data de casamento só vira dia de festa, quando, por algum motivo, só é lembrada pela boca dos filhos ou pelas insinuações do outro.

 

Cada momento no seu lugar com sua própria intensidade. Mais intensa, a cada momento, fica a sensação de respirar ofegando Hollywood. E de transpiração de escritório, da luz que perpassa a persiana tocando a carne de leve. O tic tac do relógio apresenta-se freneticamente como numa lavagem cerebral, uma hipnose real da mente burocrata. O único arrepio que sente é o do ar condicionado fazendo fruir calafrios na penugem dos finos braços de digitadora.

 

O pó, que do carpete se levanta, é apenas a nuvem que entorpece e inebria a mente da pobre viciada de Windows-Sedentária. Escriturária de desgraçada virtude de tecnocrata. Secretária-chefe da própria agenda de descaminhos que perverte realidade em células de Excel que compõem gráficos em slides de Power Point. Num passeio do metrô, o que há de mais coletivo na rotina, de mais humano, o assédio dos bons moços que voltam de suas faculdades de engenharias animais. Pequenos delinqüentes justificados pelos vícios da classe média!

 

Com cesto de doces light na mão, por entre faróis da selva de pedra, a caminho do apartamento da vovó, no sétimo andar, temos a Chapeuzinho encochada no metrô, atrasada para o trabalho, burocrata da existência, iludida de si, viciada de uma realidade frustrante de conto de fadas, até que, para sua própria salvação, alguém venha lhe comer.

Humor de Louco, Amor de pouco

16 de setembro de 2009 § Deixe um comentário

 

Um palhaço triste. Um cupido mau-humorado. Um cadáver motivado. Três linhas do mesmo absurdo declarado de existir. Contraditórios defendidos pela realidade transitória. De passo em passo rumo à fusão. Composição.

Em cambalhotas arquitetônicas de Niemeyer, e piadas eloqüentes da natureza, faz apenas mistério de doutorar o palhaço. É a Academia Circense que, em demanda de troco, deixa um pouco cansada a platéia já não mais tão crítica assim, mas que mesmo assim não ri.

Na direção do mínimo de estar, o máximo de chegar. Cada um podendo desfrutar do mesmo que ele, mas, apenas por uma vez, e só. Quem quer que seja a sua, agora? A morte está para ele como uma alegria, como uma alergia que coça e dá prazer, enquanto dedos rígidos e meio frios raspam a pele já resfriada. É a ação de ser feliz. Como nunca antes, mas, agora, realizando tudo quando pode ser não-posse, falta de liberdade, saudade-indivindade.

E, do centro de São Paulo, um Scotch Wisky faz a alegria de um kid’s fanfarrão armado, que deixou arco e flecha para atingir mais efetivamente seus pequenos pombinhos e fazê-los frituras assados para suas tardes engarrafadas. E em garrafadas esse cupido leva o dia. Após uma visita ao divã, nas asas da psicanálise, enternece coelhinhos que se encantam com a história decadente.

Encontrados apenas pela falta. De algo ingênuo, de algo puro, de algo livre. Daquilo que é mais próprio, mais fresco, mais do que apenas contexto, reunião, habilidade. No artifício de usar sua humanidade, e realizar em grupo o que individualmente foi condenação. A prisão da identidade que não mais existindo, deixa de identificar ingenuidade, alegria, piada, ao palhaço. Deixa de conferir pureza, boa-vontade, ternura, ao cupido. E, deprimentemente, afasta o desprendimento, a liberdade e a leveza do cadáver.

Vê-se esse cadáver preso a uma expectativa. A uma espera, que não mais vai acontecer. Amarrado a uma motivação, numa constante constipação que expele doença, a mesma que é causa e que é cura. Escuta-se o palhaço burocrata, sem vida, sem luz, sem maquiagem, com peruca loira. Sem graça. Preso aos procedimentos todos do funcionalismo público.

E cupido, esse se rendeu às amarras do estresse da vida moderna: Filho da Puta! – é o que se pode ouvir do, antes anjinho, agora ébrio. E mais nada há de se esperar. É um pouco humor, é pouco de autor com pouca cor. É constatação de carência de Amor, isso sim, necessidade de furor numa pequena piada ruim.

Animais de outros Circos

14 de setembro de 2009 § Deixe um comentário

Um grande alvo de pessoas num tablado, picadeiro branco de madeira marrom. Pessoas formando esse alvo numa branca fundição de si com outros, marrons, brancos, vermelhos e negros. Em som-de-lis, temos a impressão de uníssono, mesmo que num pequeno grupo. Grupo que contamina, contagia.

Animais de circo pelo entretenimento e interatividade. Alongamento, auto-prolongamento. Movimento de per si. Alteridade no desenrolar de movimentos particulares que buscam outrem. E ainda outros que buscam o si. De um projeto, grupos grandes, médios, pequenos, muito pequenos e do “eu sozinho” que demonstra que, primeira e segunda pessoa são um “eu mesmo”. Um só também é grupo!

Numa apresentação, o fluxo de imagens, estáticas, depois da chuva, meio disforme, antes de outras atividades, trazendo ao pé do ouvido a sensação que é buscada, no mais íntimo de cada animal, macaco ou elefante, do bafo quente que sai com o desejo e o furor de novos contatos. A identificação necessária, apenas mais um protocolo. Era óbvio que tinha, desde tecnicidade com um pedantismo cultural, até o mais minimalista e intenso cuidado com a provocação.

No curso desse picadeiro, o branco ou marrom, luzes foram colocadas de modo a provocar, além de calor, sensações mais reais. Mais claras. Verde, vermelho, amarelo, azul, nacional-bandeira de hastear, cada um na sua linguagem. A platéia é crítica, é formada por animais de outros circos, camelos, dromedários, leões, ratos (que sempre aparecem) e cachorros mais triviais que ficam mesmo confusos com a presença dos felinos asiáticos.

Essa pequena tropa de triviais cães domésticos, põe-se a realizar entretenimento, lento e intenso comercial de margarina, sem fala, com música. Em seguida, fivelas, ferraduras, patas mancas, mancadas tortas de meias mortas e brancas, acelerando sensações cuidadosamente provocadas, de maneira a inusitar o óbvio. Um peso que no olhar faz devorar e muitos dos animais são engolidos por inteiro pelos que tem maior apetite. Não vou parar de te olhar!

Não foi possível perceber a arena que o picadeiro propiciava. Mas, italianamente circenses, fazemos, do modo mais simples que conseguimos, a exposição de cada animal com sua habilidade e com seu valor estético. É só estética? E Ética? Dos anfitriões, a pesquisa necessária do espaço de lona. Desde a jaula onde os animais deixam suas mochilas, passando por galerias, picadeiro mesmo, até a interação provocada pela cidade em movimento, o Square of Action, todos os lugares são pesquisa. E até do trapézio se ouviu que vozezinhas cantavam encantando crianças e outros animais coloridinhos.

Conhecer-se, permitir-se, despir-se ou não, ou revestir-se. Permanecer, padecer e perecer ou ascender. Indubitavelmente, que sejam referidas as devidas desculpas, por não merecermos e por profanarmos os animais de bafo quente, as jaulas, o picadeiros, os exercícios, os trapézios, o Square of Action.

Vamo Gueto!

11 de setembro de 2009 § Deixe um comentário

 
Um dia que a humanidade não pode esquecer… Afinal, apenas uma vez em toda a existência humana na terra isso aconteceu… Apenas uma.
 
Uma mistura de mistério, confusão… uma preocupação que fica densa com a poeira que se espalha. Países, planetas, galáxias teriam uma nova ordem se pudessem olhar para o 11 de Setembro com os meus olhos hoje, e pudessem compartilhar dessas lembranças tão melancólicas… É claro, não foi sempre assim… mas apenas depois daquele fatídico dia 11.
 
É uma oportunidade sine qua non . Quer saber, quem é que não gosta de um churras num domingo de sol, ou mesmo de um belo samba, mesmo que não consiga dar um passo sequer no compasso ou seja vegetariano? Quem? Seria desumano que vivalma negasse o quanto um bom partido alto com os amigos pode ter uma função tão importante na aproximação dos amigos… Afinal, não é a carne pela carne ou a música pela música. Mas é o fazer parte…  
 
Da mesma forma o 11 de Setembro. Todos podemos partilhar das lembranças dessa data. Mas tem uma que é especial. É o dia em que o fundador do gueto veio pra fazer do mundo uma grande Sapucaí. Afinal, que seria da a mesa do bar? Vamo Gueto! – Diria agora do alto de seus quase dois metros. Quem convida pro churrasco ou o samba no cafofo? E olha, mesmo que esteja cheio da água é divertido.
 
Parabéns, Dilsão!
 
Alguns tem apenas a lembrança de homicídios em massa, terrorismo, desgraça ou lamentações pelo mundo injusto… Para mim, é simplesmente o dia de dizer: Feliz Aniversário, Adílson!

Onde estou?

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